Rede de esperança que alimenta o corpo e o espírito
Uma iniciativa que nasceu da escuta da Palavra de Deus transformou-se em uma verdadeira rede de solidariedade que alimenta não apenas o corpo, mas também o espírito. O projeto, iniciado em 2017 na Paróquia Santa Faustina, em Roma, reúne Irmãs Claretianas, padres, jovens, famílias, catequistas e diversos grupos da comunidade em uma missão comum: servir Cristo na pessoa do pobre.
Tudo começou com um pequeno grupo de jovens que se encontrava para momentos de Lectio Divina, prática de oração e meditação da Palavra de Deus. Com o passar do tempo, os encontros cresceram e despertaram nos participantes o desejo de transformar a fé em ação concreta.
A Palavra de Deus, que é viva, coloca-se a caminho. Ainda em 2017, além dos encontros de oração, o grupo iniciou pequenas ações de acolhida e partilha, distribuindo chá e biscoitos às pessoas em situação de vulnerabilidade.
Com a chegada da pandemia, em 2020, o grupo precisou reinventar sua forma de servir. Mesmo diante das dificuldades e do isolamento social, a missão não parou. Pelo contrário: nasceu então a cantina solidária, dedicada à preparação de marmitas distribuídas nas ruas de Roma.
A iniciativa cresceu rapidamente, unindo pessoas e carismas diferentes em torno de um único propósito: levar dignidade, alimento e esperança aos mais necessitados. São carismas diferentes, mas um mesmo coração.
Hoje, o projeto conta com a colaboração de crianças, catequistas, famílias inteiras e também da Comunidade Santo Egídio, que auxilia na distribuição das refeições.
A ação é desenvolvida pela Irmã Elaine Lombardi e por outras religiosas da Congregação das Missionárias Claretianas, fundada por Santo Antônio Maria Claret e Madre Maria Antonia Paris, em 1855.
Em Roma, o trabalho das religiosas ganha um rosto muito concreto nas periferias existenciais da cidade. O projeto une espiritualidade e solidariedade em uma experiência de Igreja próxima das pessoas, especialmente daqueles que vivem em situação de rua, solidão ou vulnerabilidade social.
Além da distribuição de alimentos, a missão promove escuta, acolhimento e convivência fraterna. A proposta não é apenas oferecer assistência material, mas criar vínculos humanos e espirituais capazes de devolver esperança e dignidade.
Na noite da última segunda-feira, 11 de maio, o local onde as refeições são preparadas recebeu a visita do prefeito do Dicastério para o Serviço da Caridade, dom Luis Marín de San Martín. Esse dicastério é o organismo da Santa Sé responsável pelas ações de solidariedade e assistência aos mais necessitados.
Durante o encontro com os voluntários e religiosas, ele destacou a importância de iniciativas como essa, ressaltando que o trabalho realizado vai muito além da entrega de um prato de comida. “É muito importante levar o alimento, assim como fazer a leitura orante da Palavra de Deus. Não pode ser apenas o pão material, é imprescindível ter o pão espiritural”, afirma Dom Luis Marín de San Martín,
Segundo ele, ações como as desenvolvidas pelas Irmãs Claretianas ajudam também a oferecer acolhimento, escuta, serenidade e esperança às pessoas atendidas.
A visita foi marcada por um clima de gratidão e fraternidade, reforçando o reconhecimento da Igreja ao trabalho silencioso e constante realizado pelos voluntários nas ruas de Roma. Todos que colaboram no projeto puderam partilhar suas experiênvias.
O trabalho iniciado pelas Irmãs Claretianas tornou-se um testemunho concreto de uma Igreja que escuta, caminha junto e serve. Em 2023, além das ações sociais, a iniciativa retomou e fortaleceu os encontros de Lectio Divina, reafirmando a união entre espiritualidade e serviço.
“A alegria de caminhar juntos é o que sustenta a missão” , afirma a irmã Eliane Lombardi.
Mais do que distribuir comida, a Rede de Esperança busca devolver dignidade, proximidade e amor aos que mais precisam — tornando visível o Evangelho por gestos simples, mas profundamente transformadores.