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Papa: como Lejeune, respeitar a dignidade de pessoas com Síndrome de Down

Neste mês de junho, as comunidades médica e científica recordam os 100 anos de nascimento de Jérôme Jean Louis Marie Lejeune (1926-1994), o responsável pela descoberta da anomalia cromossômica que dá origem à Síndrome de Down em 1958. O pediatra e geneticista francês, além de amigo pessoal de João Paulo II e primeiro presidente da Pontifícia Academia para a Vida (1994), defendia que “a qualidade de uma civilização é medida pelo respeito que ela demonstra para com seus membros mais vulneráveis”. No Vaticano, nesta segunda-feira (22/06), o Papa Leão XIV também se uniu à alegria de celebrar o centenário de nascimento de Lejeune junto a membros da Fundação que leva o seu nome e familiares do já Venerável Servo de Deus pelo seu compromisso em defesa da vida humana desde a concepção.

Leia a íntegra do discurso do Papa Leão XIV

Na Sala do Concistório, o Pontífice se dirigiu ao grupo de cerca de 80 pessoas que dá continuidade à obra do cientista francês, que trabalhava para aliviar o sofrimento dos mais frágeis e das crianças com deficiência, tanto que acabou dedicando a vida à pesquisa científica. Asua descoberta mais famosa, a da anomalia cromossômica responsável pela trissomia 21, “fez dele o precursor da genética moderna, reconhecido em todo o mundo”, inclusive com títulos honoríficos.

O professor, porém, logo compreendeu que a sua descoberta científica “seria utilizada para eliminar as pessoas portadoras da trissomia 21 antes do seu nascimento”. Sem hesitar, explicou, então, o Papa, tornou-se um defensor da vida de todo ser humano “em nome da dignidade inviolável que tem a própria origem no ato criador de Deus. A esse respeito, ele interpelou e aconselhou instituições e soberanos de todo o mundo. Essa batalha lhe rendeu críticas severas em certos círculos científicos”.

“O professor Lejeune estava ciente de que, se a técnica pode ajudar a medicina, não pode, no entanto, substituí-la. Ele sabia, além disso, que a técnica pode ser utilizada contra a medicina — que, por natureza, está a serviço da vida —, como ocorre quando a técnica escapa a todo controle ético indispensável e quando prevalecem cálculos de eficácia, de rentabilidade ou de utilidade. Mas o valor da pessoa não depende do que ela realiza ou produz. Por isso, um médico jamais deveria se permitir, com base em algoritmos de laboratório, decidir sobre a vida de um determinado embrião ou de uma determinada pessoa idosa! A medicina nunca poderá se tornar serva da morte programada!”

Leão XIV manifestou satisfação sobre a atuação da Fundação Lejeune, que trabalha em três dimensões: pesquisa, tratamento e defesa incondicional da pessoa humana, o que tem rendido reconhecimento mundial na pesquisa sobre deficiências intelectuais de origem genética. Além disso, incentivou a continuarem se empenhando “em favor da vida e da dignidade humana, especialmente junto às autoridades públicas”, como já estão fazendo em várias frentes: com a criação do Instituto Jérôme Lejeune, que oferece consultoria a milhares de pacientes afetados por diversas deficiências mentais; com a participação regular a debates sociais sobre o tema; através da Cátedra Internacional de Bioética, que oferece formação acadêmica a profissionais do setor: profissionais de saúde, juristas e filósofos.

Ao final do discurso, o Pontífice encorajou todos os presentes na audiência, “queridos protegidos” de Jérôme Lejeune, a continuarem a obra do professor: a partir dos “amigos portadores da trissomia 21 e seus familiares”, aos filhos do Venerável, aos membros das fundações que vieram da Espanha, Argentina e Estados Unidos, além dos leigos vindos de Portugal, Itália, Tunísia, Costa do Marfim e da Coreia, que também segue os passos do professor francês:

“Sejam como ele, testemunhas empenhadas na sociedade, a serviço da busca constante do bem comum. Este é o primeiro grande princípio da doutrina social da Igreja e da ‘forma social’ da dignidade reconhecida a cada um. O bem comum não exclui ninguém daqueles que foram criados à imagem e semelhança de Deus. A mensagem e a obra do Venerável Jérôme Lejeune se baseiam na universalidade da razão e do coração unidos. Que ela possa inspirar a coragem da verdade aos numerosos jovens e profissionais que anseiam por coerência; que possa os ajudar a unir, sem rigidez, a razão e a fé, a palavra e os atos, a ausência de julgamento sobre as pessoas e a rejeição da mentira.”

 

 

 

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