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Papa à Igreja na Coreia: apoiar jovens da JMJ de Seul, com Cristo, pela paz e reconciliação

O Papa Leão XIV recebeu representantes da Vida Consagrada da Coreia que moram em Roma, pessoas que “vêm de longe, é verdade, mas aqui estão em casa”, já que a fé que receberam na terra natal “encontra suas raízes” junto às memórias dos Apóstolos Pedro e Paulo, dando um “novo ímpeto missionário”. Na audiência na Sala Clementina nesta segunda-feira (05/10), o Pontífice começou o discurso saudando em língua original coreana o grupo de 170 sacerdotes, religiosos e religiosas. Lembrou ainda da preparação à Jornada Mundial da Juventude de Seul 2027 e se congratulou com o aniversário de 25 anos de inauguração da sede do Pontifício Colégio Coreano.

Guardiões da memória, testemunhas da esperança

Recordando da história “singular” da Igreja na Coreia do Sul, que conta com cerca de 5,97 milhões de fiéis, o que representa aproximadamente 11,3% da população total do país, o Papa a descreveu através da “memória e da esperança”. Memória pela fé espontânea a Deus que brotou e se desenvolvou no início através de textos cristãos, e esperança através de Cristo Ressuscitado. Leão XIV também recordou o testemunho dos mártires que fizeram parte de uma longa história – marcada por perseguições, guerras, pobreza e divisões – que não endureceu o coração, como foi o caso do Venerável Tomás Choe Yang-Eop (1821–1861). Ele foi “o segundo sacerdote da história coreana, lembrado como o ‘mártir do suor'”, pelo trabalho intenso de evangelização durante 11 anos “até consumir a própria vida no serviço”. Iluminados pelo Evangelho, disse o Papa, os mártires dão o exemplo de “fortaleza cristã” a ser seguido, “doando a vida com amor, todos os dias”:

“O nosso tempo precisa exatamente disso: de homens e mulheres que tenham a coragem de fazer o bem, mesmo quando isso custa. Aproximem-se daqueles que estão sozinhos, apoiem quem está cansado, procurem quem se afastou. Tenham a coragem de perdoar, de recomeçar, de dialogar. O bem nem sempre é reconhecido e muitas vezes exige esforço, mas é essa coragem cotidiana da caridade que torna credível o nosso anúncio do Evangelho.”

Igreja na Coreia: a sinodalidade pela paz

“A força para viver assim vem da amizade com Jesus Cristo” que “abre à fraternidade”, continuou o Papa, orientando a alimentá-la “na Eucaristia, na escuta da Palavra, na oração e no silêncio diante do Senhor”. Ao enaltecer a força da sinodalidade, caminhando unida com o Senhor mesmo sendo de diferentes dioceses, institutos e congregações, o Papa afirmou da importância de também procurar ser artífice da paz, numa terra que “ainda carrega a dolorosa ferida da divisão”:

“Peço-lhes que sejam sempre homens e mulheres de reconciliação. A paz começa no coração e nas relações cotidianas, quando ouvimos em vez de julgar, perdoamos em vez de guardar rancor, escolhemos a comunhão em vez do confronto. Sejam unidos e sejam artífices da paz. Continuemos a nos empenhar e a rezar para que se abram novos caminhos de encontro e para que o Evangelho da paz possa ser anunciado livremente em todas as partes da península coreana e do mundo.”

A JMJ de Seul em 2027

A próxima Jornada Mundial da Juventude de Seul, em 2027, disse o Papa, “tornará tudo isso visível” com a chegada de jovens de todas as partes do mundo à uma terra “onde o Evangelho cresceu por meio do testemunho dos mártires”. A edição coreana – a primeira em um país onde os cristãos constituem minoria da população e a segunda JMJ realizada na Ásia depois de Manila, nas Filipinas, em 1995 – será realizada de 3 a 8 de agosto de 2027. O desejo de Leão XIV, então, é que seja “um grande encontro entre memória e futuro: os mártires transmitem a fé às novas gerações e os jovens a recebem para levá-la pelas estradas do mundo”:

“Ouçam os jovens, caminhem com eles e ajudem-nos a descobrir que seguir Cristo não diminui a liberdade, mas a torna plena; que a fé não restringe a vida, mas abre para ela um horizonte mais amplo. Preparem, portanto, a JMJ com paixão – como já fazem –, guardando no coração as palavras: ‘tenham coragem: eu venci o mundo!’ (Jo 16,33). Seus mártires haviam compreendido isso: a esperança deles não dependia de circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que Cristo já havia vencido.”

 

 

 

 

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