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Palavra do Pastor › 10/02/2012

Palavra do Pastor | Campanha da Fraternidade 2012

No dia 22 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos com toda Igreja o tempo da Quaresma, que é tempo forte de conversão, de mudança interior, de graça e salvação.

Aqui no Brasil, neste mesmo dia, iniciamos a Campanha da Fraternidade (CF) 2012, com o tema “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra” (cf Eclo, 38,8).  A CF, celebrada na quaresma, intensifica o convite à conversão.

A CF 2012 tem por objetivo geral: “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhorias no sistema público de saúde” (Texto-base [TB], 6).

Para atingir o objetivo geral, o TB apresenta seis objetivos específicos, a saber: “a) Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável; b) sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e a integração na comunidade; c) alertar para a importância da organização da pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá- la onde já existe; d) difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade; e) despertar nas comunidades a discussão sobre a realidade da saúde pública, visando à defesa do SUS e a reivindicação do seu justo financiamento; f ) qualificar a comunidade para acompanhar as ações da gestão pública e exigir a aplicação dos recursos públicos com transparência, especialmente na saúde” (idem).

A primeira parte do texto-base (7-147) chama a atenção para a realidade da saúde.

Lembra que a vida, a saúde e a doença são realidades profundas, envoltas em mistérios; que as enfermidades, o sofrimento e a morte apresentam-se como realidades duras de serem enfrentadas e contrariam os anseios de vida e bem-estar do ser humano. Afirma que “a doença é também um apelo à fraternidade e à igualdade, pois não discrimina ninguém. Atinge a todos.” (TB, 14).

O TB lembra alguns elementos da Doutrina Social da Igreja pertinentes à saúde pública, tais como os princípios da solidariedade, da subsidiariedade e da participação. Destaca as contribuições recentes da Igreja no Brasil para a saúde pública por meio das Pastorais Sociais, da Pastoral da Criança e da Pastoral da Saúde. A partir do nº 54, o TB apresenta o panorama atual da saúde no Brasil e as grandes preocupações na saúde pública em nosso país. Apresenta os conceitos básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), bem como os avanços e os desafios deste sistema.

A segunda parte do TB (148- 225) aprofunda o lema da CF: “Que a saúde se difunda sobre a terra” a partir da visão de saúde e doença presente na Bíblia; aprofunda a questão do sofrimento humano no Antigo e Novo Testamento. Aprofunda o tema do cuidado dos doentes a partir da figura do Bom Samaritano (Lc 10, 25-37). A partir do nº 193, o TB apresenta uma grande reflexão sobre o horizonte humano e teológico do sofrimento. Esta segunda parte termina ressaltando Maria, Saúde dos enfermos, e a ação da Igreja na saúde.

A terceira parte do TB (226- 261) apresenta indicações para a ação transformadora no mundo da saúde. Primeiramente, trata da Pastoral da Saúde, lembrando que ela “representa a atividade desempenhada pela Igreja no setor da saúde, é expressão de sua missão e manifesta a ternura de Deus para com a humanidade que sofre” (TB, 229). Chama a atenção para a dignidade de viver e morrer, mostrando que “a mortalidade faz parte de nossa existência, na como negá-la ou considera-la como inimiga. Precisamos de sabedoria e ética samaritana para cuidar das pessoas que estão se aproximando do final de suas existências. O desafio ético é considerar a questão da dignidade no adeus à vida” (TB, 240). Apresenta propostas de ação para a Igreja cooperar no avanço do Sistema Público de Saúde, tais como: “articular a participação de membros das comunidades nas instâncias colegiados do SUS (Conselhos municipais e Conferências de Saúde)” [TB, 253d]. No nº 255, encontramos propostas de ação concreta de como as famílias podem colaborar para a saúde se difundir, tais como: estimular a adoção e a manutenção de padrões e estilos de vida saudáveis e a abolição de hábitos inadequados de vida, até reeducação alimentar e incentivo à atividade física. Por fim, são apresentadas propostas gerais para o SUS.

A CF tem o seu tempo forte durante a quaresma e o seu ponto alto no gesto concreto, isto é, com a Coleta da Solidariedade, no Domingo de Ramos, neste ano no dia 1º de abril. Aproveitemos a quaresma para avançar em nosso caminho de conversão, fazendo acontecer a CF em nossas comunidades, para “que vida se difunda sobre a terra”.

Dom Moacir Silva
Bispo Diocesano de São José dos Campos 

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