Leão XIV: o seminário não deve ser subestimado, pois faz parte da missão
No encontro desta quinta-feira (03/09) com seminaristas provenientes do sul da Itália, o Papa Leão XIV refletiu em discurso a importância de viver a fase do seminário para aprofundar a relação com Deus e “a verdade da vocação”, um período que vem depois do chamado e antes de se colocar em missão. Para isso, usou do Evangelho de São Marcos (Mc 3,13-14) para orientar a reflexão dirigida a um grupo de 150 pessoas na Sala Clementina, no Vaticano, formado por estudantes do Pontifício Seminário Regional Pugliese “Pio XI” da cidade de Molfetta/BA e do Seminário Episcopal de Aversa/CE, junto a formadores e familiares. Duas instituições que, como lembrou o Papa, estão de aniversário em 2026 já que, em Molfetta, comemoram 100 anos da nova sede, e em Aversa, são 300 anos da sede atual.
Ao direcionar o discurso para a formação, Leão XIV comentou que o estudo e a disciplina são etapas essenciais do caminho, mas que “só têm valor se estiverem fundamentados na relação com Deus”. E o Papa ilustrou citando a passagem evangélica que narra quando Jesus subiu ao monte, chamou os Doze apóstolos que quis para que ficassem com Ele e seguissem depois em missão:
“Nessas poucas palavras já está tudo. Ao nos determos nessa breve passagem, podemos perceber uma síntese admirável da experiência válida para todo chamado, para todos aqueles que desejam aprofundar a verdade da própria vocação. Há o monte a subir, onde alcançar Cristo e, acima de tudo, onde permanecer junto a Ele. O coração da experiência do seminário está todo aqui: aprender a estar com o Mestre, o Senhor Jesus.”
O chamado: o monte a subir
Deus «chamou para si aqueles que quis», recordou o Papa, o que demonstra “a liberdade de Deus, da qual brota toda vocação. Não há um concurso, não há uma lista de classificação, nem está escrito que escolheu os melhores: escolheu aqueles que queria. Em um mundo que se esforça tanto para celebrar a autorrealização”, continuou Leão, é importante reiterar sobre “a livre escolha da parte de Deus Pai”, que “sussurra ao coração dos jovens”, “em todas as épocas da história e em todos os lugares”.
Depois de ouvir a voz do Senhor, de fato, disse o Pontífice, “é preciso ir ao seu encontro e subir a montanha”. Um caminho que pode ser cansativo, com a subida feita a pé e sem conseguir avistar o topo: “o cansaço da vida espiritual é, porém, sustentado pela beleza da fraternidade e da partilha da missão”.
Em conjunto: a experiência com Deus no monte
Com o nascimento da vocação, continuou o Papa, é preciso, então, “aprender a estar com Ele” em cima, no monte. E “a própria presença de vocês no seminário é um sinal de esperança para toda a Igreja”, antecipou Leão, que também agradeceu, em nome da Igreja, pelo “sim” de todos os dias.
No monte, Jesus então reúne os Doze “para que aprendam que a Igreja se vive em conjunto”, afirmou o Papa. Ao citar a sua Carta Apostólica Uma fidelidade que gera futuro, Leão enalteceu a importância de “corresponder à graça da fraternidade”: assim como “nenhum pastor existe sozinho”, nem mesmo um seminarista pode conceber um caminho desligado da Igreja:
“O seminário, portanto, antes mesmo de ser um lugar para adquirir informações, ‘deveria ser uma escola dos afetos’. E a vocês, queridos formadores, peço que sejam os primeiros mestres daquele cuidado e daquela fraternidade que se manifestam em relações autênticas, pessoais e comunitárias, feitas de verdade e de caridade. Não se improvisa ser formador: o ministério de vocês é extremamente delicado, para o qual se prepara com conhecimento, paciência e amor.”
Além dos formadores, o Papa também se dirigiu às famílias dos seminaristas, a quem agradeceu, porque “uma vocação nunca surge sem um contexto adequado e, muitas vezes, precisa de um lar, de pais que rezam e que sabem deixar ir”.
A missão: momento de descer do monte
Resta, então, o último passo, disse o Papa: aquele em que se desce do monte. De fato, depois de ter experimentado Deus, assim como os Doze Apóstolos, os seminaristas são chamados à missão junto “às famílias que lutam para sobreviver, aos jovens que, aos vinte anos, fazem as malas em busca de trabalho, aos idosos solitários, aos marginalizados, àqueles que perderam o sentido da existência”: