Leão XIV: Deus não abençoa conflitos e seus discípulos não apoiam quem lança bombas
O Papa Leão XIV recebeu nesta sexta-feira (10/04) um grupo de bispos reunidos em Roma para o Sínodo da Igreja Caldeia com sede em Bagdá, no Iraque, que irá eleger o novo Patriarca. O Pontífice tinha aceitado o pedido de renúncia apresentado pelo cardeal Louis Raphaël Sako há exatamente um mês, em 10 de março, após ter completado 75 anos e ter permanecido por mais dois anos, encorajado pelo Papa Francisco. Foram 13 anos de serviço em Bagdá e de “notáveis esforços” empreendidos, reconheceu com gratidão Leão XIV.
Em discurso, o Pontífice também abordou “a grande missão” do Sínodo e da eleição do novo Patriarca para fins “de anunciar Cristo Ressuscitado também em contextos de morte”, mantendo acesa a esperança sem desanimar. Através do Dicastério para as Igrejas Orientais, Leão XIV acompanha os trabalhos dos caldeus e inclusive este “momento de precioso discernimento eclesial” da Igreja, que une espiritualmente com a oração os sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis tanto do próprio território “quanto da numerosa diáspora espalhada pelo mundo”. Uma Igreja de “tradição antiquíssima e fecunda que, intimamente ligada aos lugares de origem da salvação, soube levar o Evangelho além das fronteiras do Império Romano, desenvolvendo um cristianismo rico em fé, de cultura e de espírito missionário, até a Índia e a China”. Uma história “gloriosa”, enalteceu ainda o Papa, de fé transmitida com coragem e fidelidade inclusive através de provaçoes duríssimas: “guerras, perseguições, tribulações que atingiram as comunidades de vocês e dispersaram muitos fiéis pelo mundo”:
“O Sínodo de vocês representa um tempo de graça e de grande responsabilidade. Vocês são chamados a eleger o Patriarca em uma fase delicada e complexa, por vezes até controversa. Convido-os a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, encontrando n’Ele a concórdia e buscando não o que parece mais útil aos olhos do mundo, mas o que é mais conforme ao coração de Cristo.”
Leia a íntegra do discurso do Papa Leão XIV
Como deve ser o novo Patriarca
Que o novo Patriarca seja, antes de tudo, continuou o Papa, “um pai na fé e um sinal de comunhão com todos e entre todos”, na “paciente busca pela unidade” e mesmo que às vezes contra a corrente, porque “o amor é a única força que vence o mal e derrota a morte”. E Leão XIV acrescentou que a “Sua Beatitude seja um homem das Bem-aventuranças: não chamado a gestos extraordinários e a suscitar clamor, mas a uma santidade cotidiana, feita de honestidade, misericórdia e pureza de coração. Que seja um Pastor capaz de ouvir e acompanhar, pois a autoridade na Igreja é sempre serviço e jamais hegemonia”:
“Que o Patriarca seja um guia autêntico e próximo do povo, e não uma figura ostensiva e distante. Que seja um homem enraizado na oração, capaz de carregar o peso das dificuldades com realismo e esperança, mestre da pastoral que identifique caminhos concretos para o bem do povo de Deus, juntamente com os irmãos bispos, naquele espírito de concórdia que deve caracterizar uma Igreja patriarcal, cuja autoridade é representada pelo Sínodo dos Bispos presidido pelo Patriarca, promotor da unidade na caridade, em plena coesão com o Sucessor do Apóstolo Pedro.”
O momento, então, reforçou Leão XIV, é de “responsabilidade”, vivido pel próprio Pontífice junto à Igreja Caldeia e a todos os cristãos, inclusive de outras confissões, já que os leva no coração e reza por todos. A eleição do novo Patriarca também é um período de “renovação espiritual” que exige observar os mais diferentes âmbitos. Daí as recomendações do Pontífice para a transparência “na administração dos bens”, para o uso moderado dos meios de comunicação, para a prudência nas declarações públicas, para valorizar a formação dos presbíteros e ajudar, “sobretudo com o exemplo, as pessoas consagradas a guardar os dons inefáveis da obediência e da castidade”. Leão XIV também recomendou acompanhar os fiéis leigos, “prestando-lhes assistência pastoral, para que se sintam encorajados, apesar de todas as provações, a permanecer firmes na fé e em seus territórios”: