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Fernández: todas as religiões são pela paz, jamais pela guerra

Em um mundo de divisões, guerras e violências, no qual o componente religioso é frequentemente apontado entre os motivos de confronto, que valor e atualidade tem a Declaração conciliar Nostra aetate?

No número 9 da Nota, recorda-se uma passagem fundamental do parágrafo 5 da Declaração Nostra aetate, segundo a qual: «Não podemos invocar Deus como Pai de todos os homens se nos recusamos a nos comportar como irmãos em relação a alguns dentre os homens, criados à imagem de Deus. […] A Igreja reprova, como contrária à vontade de Cristo, qualquer discriminação entre os homens e perseguição perpetrada por motivos de raça e cor, condição social ou religião». Trata-se de uma indicação da máxima relevância também para o nosso contexto atual. Cada religião e todas as religiões são para a paz. Nunca para a guerra. Não é por acaso, aliás, que o próprio Pontífice Leão XIV reiterou com grande ênfase o mesmo princípio em sua encíclica Magnifica Humanitas, no parágrafo 223: «Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto: combater em nome da religião significa, na realidade, atingir a própria religião. O “espírito de Assis”, suscitado por São João Paulo II e continuado no compromisso do Papa Francisco — por exemplo, no diálogo com o grão-imame de Al-Azhar —, mostra que os fiéis podem voltar a beber das fontes mais autênticas das próprias tradições espirituais, nas quais não há espaço para o ódio sacralizado».

O que significa, concretamente, hoje, “dialogar”? Como evitar, de um lado, o risco do fechamento identitário e, de outro, o risco do sincretismo?

Gosto de recordar aqui o que São João Paulo II dizia a respeito do diálogo. Conta-se, de fato, que, em diversas conversas privadas, destacava a urgência de conjugar a máxima identidade com o máximo diálogo. Na verdade, o diálogo autêntico é, ao mesmo tempo, “anúncio”, pois, precisamente no diálogo, cada um deve mostrar claramente ao outro a própria identidade e procurar manifestá-la em toda a sua beleza e harmonia. Tudo isso está relacionado com o que se encontra felizmente expresso em Dilexit nos, onde, nos números 209 e 210, recorda-se que a missão do anúncio do Evangelho requer «missionários apaixonados, que se deixem ainda conquistar por Cristo e que não possam deixar de transmitir esse amor que transformou a vida deles. Por isso, causa-lhes dor perder tempo discutindo questões secundárias ou impondo verdades e regras, porque sua principal preocupação é comunicar aquilo que vivem e, sobretudo, que os outros possam perceber a bondade e a beleza do Amado através de seus pobres esforços». E que, em tudo isso, não há ato de proselitismo, pois «as palavras de quem está apaixonado não perturbam, não impõem, não forçam; apenas levam os outros a se perguntar como é possível um amor assim. Com o máximo respeito pela liberdade e pela dignidade do outro, quem está apaixonado simplesmente espera que lhe seja permitido contar essa amizade que preenche a sua vida».

 

 

 

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