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Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá reúne cerca de 230 mil pessoas

A procissão macapaense, realizada neste domingo, 11 de outubro, mostrou que a devoção à Virgem de Nazaré também é referência no Amapá, ao reunir uma estimativa entre 200 e 230 mil participantes. Entre eles, promesseiros de vários municípios da região seguiram na corda, alguns de joelhos sobre o asfalto pagaram promessas e muitos prestaram homenagens à padroeira, em uma procissão que transcorreu com tranquilidade durante todo o caminho percorrido.

A programação central reuniu a celebração na Praça do Santuário de Fátima e a procissão com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré na berlinda. Com o tema deste ano “Maria e Jesus, presenças que renovam o vinho da família”, e o lema “E a mãe de Jesus estava presente” (Jo 2,1), conduzindo a celebração para além do gesto de devoção, e apontou para as alegrias e também para as dificuldades vividas dentro de casa.

Na homilia, o bispo de Macapá, dom Antônio de Assis Ribeiro, partiu das leituras proclamadas na missa e da passagem das bodas de Caná, quando Maria percebe que o vinho está acabando e orienta os servidores, “Fazei o que ele vos disser”. Para o bispo, o episódio ajuda a compreender a presença de Maria junto às necessidades humanas e a centralidade de Jesus. “A fé se transforma em caridade, impulsionada pela esperança”, afirmou Dom Antônio, ao agradecer pelo que considera a ação de Deus no coração das pessoas. Ele também resumiu o chamado à vida espiritual em uma frase “Deus trabalha em mim e me chama à santidade”.

O bispo relacionou a devoção mariana à responsabilidade com quem precisa de amparo. “Maria é serva dos carentes”, disse. E reforçou que a fé não deve ficar apenas nas palavras, “Não basta dizer: ‘Eu creio na Palavra de Deus’; tem que se fazer servo dos carentes, solidário, capaz de fazer o bem”.

A reflexão ganhou um sentido concreto nas preces da celebração, que lembraram famílias marcadas pela falta de diálogo, pelo desemprego, pelo alcoolismo, pelas drogas, pela depressão e pela ansiedade. Ao comentar o relato de Caná, dom Antônio convidou os fiéis a apresentar a Jesus as próprias carências e as necessidades de suas famílias. “Maria me acompanha. Maria me estimula. Jesus é o caminho, a verdade e a vida”, afirmou.

Essa dimensão de pedido e agradecimento também se expressa nos promesseiros. A corda, os passos percorridos e até a caminhada de joelhos tornam visível uma fé que muitas vezes se traduz em promessa, gratidão por uma graça alcançada ou esperança diante de uma dificuldade. No Círio, esses gestos pessoais seguem junto à multidão, compondo uma devoção compartilhada por famílias e gerações.

A preparação para a procissão começou meses antes, com peregrinações e romarias que levaram a devoção a diferentes grupos e espaços da cidade. Ciclistas, rodoviários, motociclistas e participantes da romaria fluvial tiveram seus momentos próprios no calendário da festividade. Essas caminhadas ajudam a construir o Círio antes mesmo do grande cortejo: a imagem visita comunidades, e os devotos se preparam para caminhar juntos.

Ao refletir sobre essa tradição, Dom Antônio lembrou que a festa mariana aponta para Jesus e inspira uma vida comprometida com o próximo. “A devoção”, disse, “não se separa da solidariedade Maria é referência justamente por acolher a Palavra e colocar-se a serviço. Assim, o Círio de Macapá não se resume à passagem da berlinda pelas ruas. Reúne pedidos, promessas, agradecimentos e um chamado a renovar, na vida cotidiana, a esperança e o cuidado com as pessoas”.

Uma tradição que criou raízes em Macapá

A primeira procissão do Círio de Nazaré em Macapá aconteceu em 4 de novembro de 1934. A iniciativa reuniu religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria e Ester Benoniel Levy, esposa do então prefeito, Moisés Eliezer Levy. Na época, Macapá ainda fazia parte do Pará; o Amapá só se tornou Território Federal em 1943. Essa ligação histórica ajuda a compreender como a devoção a Nossa Senhora de Nazaré, tão forte no Pará, também se enraizou na capital amapaense.

Embora São José seja o padroeiro de Macapá, o Círio de Nazaré tornou-se uma das maiores manifestações religiosas do estado. Para romeiros e promesseiros, caminhar com a imagem é uma forma de expressar devoção, agradecer por graças recebidas e confiar à Mãe de Jesus as alegrias e dificuldades da vida. A corda, os passos e as promessas têm sentidos particulares para cada pessoa; reunidos na procissão, formam uma experiência de fé partilhada por famílias e gerações.

À luz do Evangelho das bodas de Caná, proclamado na celebração do Círio, Maria percebe a necessidade da família e aponta para Jesus, “Fazei o que ele vos disser”. Na homilia, Dom Antônio de Assis Ribeiro destacou que essa devoção também chama ao serviço “Maria é serva dos carentes”. Assim, para o povo de Deus, a caminhada não termina com a procissão, ela continua no cuidado, na solidariedade e na esperança vividos no cotidiano.

Os Festejos em honra a Nossa Senhora de Nazaré encerram no proximo dia 19, quando acontecerá o Recírio, uma celebração que encerra oficialmente a festividade do Círio. Em Macapá, costuma reunir uma missa e uma procissão de retorno da imagem de Nossa Senhora de Nazaré, neste ano, o percurso previsto é até a Catedral São José.

O nome sugere esse “retorno” ou recolhimento da imagem após os dias de festa. Não significa o fim da devoção, é um momento de despedida da programação, agradecimento e renovação da esperança para o ano seguinte.

 

 

 

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