Bispo de Assis: “Aproximemo-nos da Eucaristia como fez Carlo Acutis”
Havia mais de quatrocentos fiéis e peregrinos na noite de segunda-feira, dentro e fora da igreja de Santa Maria Maior — Santuário do Despojamento de São Francisco, em Assis — para prestar homenagem a São Carlo Acutis no dia de sua memória litúrgica, 12 de outubro, vigésimo aniversário de sua morte. “Celebramos a solenidade de São Carlo Acutis e pedimos ao Senhor também sua intercessão pela saúde do Papa Leão”, iniciou em sua homilia o arcebispo-bispo de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino e de Foligno, Felice Accrocca: “Queremos, além de agradecer a Deus pela dádiva de São Carlo, elevar também uma fervorosa oração pelo Sumo Pontífice”. Estavam presentes na Missa autoridades civis, militares e religiosas, a mãe de Carlo, Antonia Salzano, e o pai, Andrea Acutis.
Carlo, ainda criança, compreendeu a força desse grande mistério
A espiritualidade eucarística, disse o prelado, não é mera devoção, “mas sim deixar-se comer, como Jesus. Se estou disposto a isso, então posso receber a Comunhão. Estou disposto a estar em comunhão com os irmãos e a buscar a unidade em vez da divisão? Se sim, então posso aproximar-me do altar”. Carlo, ainda criança, intuiu “o valor desse sinal, a força desse mistério, e vive na serenidade que Deus sabe dar às almas grandes”. Entre as imagens do santo, dom Accrocca destacou “a alegria de seu rosto, aquela alegria serena que se traduz na aparência exterior de um garoto em paz. Que seja um dom que Deus concede às almas que repousam n’Ele. E que esse dom se traduza também em nossa vida”.
Saber guardar um dom
O arcebispo exortou a observar e a guardar aquilo que serviu de guia para Acutis: a Palavra, a Eucaristia, os pobres. “Não encontramos Deus quando Ele ‘aparece nas paredes’.” Encontramos o Ressuscitado no irmão que caminha ao nosso lado e que muitas vezes não reconhecemos. São Carlo viveu isso: a Palavra, a grande fé na Eucaristia, a atenção aos pobres por parte de um jovem que podia ter tudo, mas sobre o qual Deus lançou Seu olhar, protegendo-o e preservando-o, e, ao mesmo tempo, fez com que ele tivesse olhos para os mais pobres”. A riqueza nele “não teve influência”, pelo contrário, “o tornou sensível aos outros”: uma grande lição de vida. A Eucaristia — exortou Accrocca — «seja para nós um estímulo a doar a vida, seja uma sensibilidade para com os mais pobres, e nos ajude a compreender que somos o Corpo de Cristo, que deveríamos sentir a mesma consternação e a mesma perturbação que sentiríamos se nos encontrássemos a pisar a Eucaristia. Sempre que pisamos em outra pessoa ou violamos seus direitos, é exatamente como se pisássemos no Corpo de Cristo, e, dessa forma, não nos é possível nos aproximar da Eucaristia”. Carlo Acutis, em sua curta existência, soube transmitir isso. Antes do fim da celebração, o bispo de Assis, acompanhado pelos pais, dirigiu-se ao túmulo do santo para a oração e a bênção do corpo.
Quatro dias de celebrações em Assis
Assim se encerraram as celebrações iniciadas na noite de sexta-feira, 9 de outubro, no santuário, com a catequese de padre Francesco Fiorillo, responsável pela Fraternidade do mosteiro de São Magno, em Fondi, e que prosseguiram na noite de sábado, 10, com a adoração eucarística conduzida por dom Vincenzo Calvosa, bispo de Vallo della Lucania, e, em seguida, no domingo, 11, com a Missa presidida pelo cardeal decano Luis Antonio Gokim Tagle, pro-prefeito do Dicastério para a Evangelização. Todos esses momentos contaram com grande participação dos numerosos fiéis e peregrinos oriundos da Itália e do exterior.
Acutis também foi lembrado em uma paróquia de Milão
Milão também quis lembrar Carlo Acutis na segunda-feira à noite na paróquia de Santa Maria Segreta, onde ele cresceu. “É como se houvesse dois caminhos: o do tudo e o do nada, duas lógicas, duas formas de viver, mesmo que muitos acreditem que a vida seja um pouco de tudo e um pouco de nada: não existe preto e branco, porque vivemos no país do cinza”, observou o arcebispo Mario Enrico Delpini na homilia da Missa: “De fato, muitos justificam a mediocridade como o modo de vida adequado a este tempo e a esta humanidade; defendem que é preciso ser bom, mas não demais; é preciso ser honesto, mas não totalmente; é preciso acreditar em Deus, mas não demais. É evidente que Carlo aponta o caminho do tudo, tendo-o vivido ele mesmo em sua existência, ainda que brevíssima”.