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O Papa Leão XIV: Jesus Cristo transforma a relação do homem com Deus

 

O Papa Leão XIV encontrou-se na manhã desta quarta-feira (14/01) com os fiéis e peregrinos durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI. O Santo Padre, como disse na semana passada, iniciou a série de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. Nesta quarta-feira começou a aprofundar a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a divina Revelação.

Trata-se – disse o Pontífice -, de um dos documentos mais belos e importantes do Concílio, e para introduzi-lo, pode ser útil recordar as palavras de Jesus: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai” (Jo 15,15).

“Este é um ponto fundamental da fé cristã, que a Dei Verbum nos recorda: Jesus Cristo transforma radicalmente a relação do homem com Deus; a partir de agora, será uma relação de amizade. Por isso, a única condição da nova aliança é o amor”.

A Constituição dogmática Dei Verbum recorda-nos que Jesus Cristo mudou radicalmente a relação do ser humano com Deus, transformando-a em aliança de amor.

O Santo Padre, recordando Santo Agostinho que comenta a passagem do Quarto Evangelho, de João, “insiste na perspetiva da graça, que só nos pode tornar amigos de Deus no seu Filho. De fato, um antigo lema dizia: “Amicitia aut pares invenit, aut facit”, “a amizade surge entre iguais ou torna-nos iguais”. Não somos iguais a Deus, mas o próprio Deus nos torna semelhantes a Ele no seu Filho”.

Por esta razão, podemos constatar ao longo das Escrituras, há um momento inicial de afastamento na Aliança, pois o pacto entre Deus e o homem permanece sempre assimétrico:

“Deus é Deus e nós somos criaturas; mas, com a vinda do Filho em carne humana, a Aliança abre-se ao seu objetivo final: em Jesus, Deus faz-nos filhos e chama-nos a tornarmo-nos semelhantes a Ele na nossa frágil humanidade”.

Em seguida o Papa Leão destacou que as palavras do Senhor Jesus que recordamos — “Eu vos chamei amigos” — repetem-se precisamente na Constituição Dei Verbum, que afirma: “Em virtude desta revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele”.

A Constituição Dei Verbum também nos recorda isto: Deus fala conosco. É importante compreender a diferença entre a palavra e a conversa de circunstância, disse Leão XIV. Esta última permanece superficial e não cria comunhão entre as pessoas, enquanto que, nas relações autênticas, a palavra serve não só para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos. “A palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, ao falar connosco, Deus revela-se como um Aliado que nos convida à amizade com Ele”.

“Nesta perspetiva, a primeira atitude a cultivar é a escuta, para que a Palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações; ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para Lhe comunicar o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos”.

Daí – continuou o Papa -, a necessidade da oração, em que somos chamados a viver e a cultivar a amizade com o Senhor. Isto concretiza-se principalmente na oração litúrgica e comunitária, onde não decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas sim Ele próprio nos fala através da Igreja. Além disso, realiza-se na oração pessoal, que acontece no coração e na mente.

Leão XIV concluiu recordando que o dia e a semana de um cristão não podem ser desprovidos de tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão. “Só quando falamos com Deus podemos também falar de Deus”.

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