Sacramento da confissão: quando Deus Ilumina o interior
Quando uma pessoa deseja se confessar, já é a ação de Deus operando naquela alma, incentivando a busca pela conversão. Durante a Quaresma, essa procura aumenta exponencialmente por um motivo claro: a Igreja orienta que, ao menos uma vez ao ano, antes da Páscoa, o cristão busque o confessionário. Para atender a essa demanda e preparar os fiéis para a Ressurreição, muitas paróquias realizam mutirões de confissões. Recordo-me de inúmeras vezes em que os atendimentos entraram pela madrugada, em um esforço grandioso para dispensar a graça da absolvição ao maior número possível de pessoas.
Além dessa orientação anual, a Igreja afirma que, ao cometer um pecado mortal, o fiel deve se confessar antes de se aproximar da comunhão. Por isso, muitos penitentes recorrem com frequência ao sacramento da reconciliação. Sempre que me sento em um confessionário, a fila cresce rapidamente. O povo tem sede de Deus!
Como fazer uma boa confissão? Para que esse momento seja frutuoso, o preparo é essencial. O exame de consciência é fundamental e recomendo que seja feito com base nos Dez Mandamentos. Há alguns esquemas que sugerem perguntas baseadas em cada mandamento. Realmente é muito bom, pois ajuda na reflexão. Uma dica prática é escrever os pontos em uma folha; assim, não se corre o risco de esquecer algo no momento.
Após ouvir o penitente, o padre indicará a penitência, que serve como reparação pelo mal cometido. Recomendo cumpri-la com presteza, pois já vi muitos que adiaram e acabaram chegando à próxima confissão sem ter cumprido a anterior.
Antes da absolvição, deve-se dizer o ato de contrição. Mesmo que o sacerdote não o peça explicitamente, o fiel deve rezá-lo em voz baixa enquanto as mãos são impostas. É nessa oração que afirmamos o arrependimento, condição necessária para o sacramento. Em alguns lugares é possível encontrá-lo impresso. Mas, é obrigação do católico memorizá-lo.
À medida que nos habituamos à confissão, nossa percepção sobre o pecado aumenta. Costumo fazer uma comparação: somos como uma caixa escura onde, de repente, abre-se uma fresta. Quando o feixe de luz entra, passamos a enxergar toda a poeira e os ácaros ali presentes. Eles já estavam lá, mas só se tornaram visíveis com a luminosidade. Assim é conosco: quanto mais enxergamos nossos pecados, mais estamos sendo iluminados interiormente pelo Espírito Santo.
Que todos possam compreender o real sentido de confessar-se. Assim, esse gesto de misericórdia poderá levar muitas almas ao céu.