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Pertencer a mais de uma língua não é confusão: é riqueza. É carregar na voz as marcas das histórias que nos formaram. É reconhecer que a língua que falamos molda a forma como sentimos, pensamos e nos relacionamos com o mundo. E, sobretudo, é entender que nenhuma língua que nos habita deveria ser silenciada. Essa reflexão ganha ainda mais sentido quando lembramos do 21 de fevereiro, Dia Internacional da Língua Materna, uma data que nos convida a olhar para as línguas não apenas como ferramentas de comunicação, mas como territórios afetivos, culturais e identitários. Para quem vive fora do seu país de origem, a língua materna é, muitas vezes, o último fio que nos mantém ligados à nossa história. É a partir dessa vivência que nasce Compartilhar é Multiplicar, um livro que reúne experiências desenvolvidas na Itália e em diferentes partes do mundo com famílias que escolheram, ou precisaram, migrar. Ao longo dessas páginas, contamos como manter viva a língua de origem é também uma forma de resistência, de cuidado e de amor. Falar a própria língua em casa, transmiti-la aos filhos, garantir espaços onde ela possa existir sem constrangimento é assegurar o direito de ser quem se é, por inteiro, mesmo vivendo no exterior. Essa discussão se amplia quando lembramos que o próprio dia 21 de fevereiro também evoca a migração italiana, marcada por partidas, saudades e recomeços em outros continentes. Milhões de italianos atravessaram oceanos levando consigo sua língua, seus gestos, sua cultura. E foi justamente esse movimento migratório que permitiu trocas, encontros e contaminações culturais que enriqueceram o mundo. Hoje, vivendo na Itália, desenvolvemos esse trabalho conscientes de que fazemos parte dessa história maior. O mundo que conhecemos é fruto desses deslocamentos, dessas misturas, dessas línguas que se encontram, se transformam e se multiplicam. Não existe identidade pura, existem identidades construídas no encontro. Assim como Lucas Pinheiro Braathen nos lembra, não é preciso escolher entre uma língua ou outra, entre uma cultura ou outra. É possível, e necessário, habitar todas elas. Valorizar nossas origens, honrar nossas trajetórias e transmitir às próximas gerações o direito de falar, sentir e existir em mais de uma língua. “Porque quando uma língua é acolhida, uma história continua. E quando uma história continua, o mundo se torna mais diverso, mais humano e mais nosso.” * Maria Rosa Del Gaudio, ítalo-brasileira de descendência, natural de Belo Horizonte (MG), em 2016, mudou-se para Nápoles, Itália. Desde 2018, é educadora na iniciativa Brasilidade. É mestre em Educação e Psicopedagoga, sspecialista em Docência Universitária e Pedagoga. No Brasil, foi alfabetizadora por mais de 10 anos, professora universitária, coordenadora do curso de Pedagogia, diretora pedagógica universitária, consultora educacional, mediadora literária, assessora pedagógica na Secretaria de Educação de Betim (MG) e aposentada como pedagoga do Ensino Fundamental. Em 2020, fez o curso “Ensine POLH”, realizado pelo Papo de Profes (SP). Em 2021, participou do “Curso de elaboração de materiais didáticos na Université Sorbonne-Nouvelle: o ensino de Português como Língua de Herança”. Esteve no IV SEPOLH (2019, Pisa, Itália) como ouvinte e apresentou o poster “Laboratório POLH: um resgate afetivo pelo viés da Língua Materna”, no V SEPOLH (2021, Barcelona, Espanha) como ouvinte e compartilhando o relato de experiência “O trabalho com gêneros textuais e a competência comunicativa em POLH” e no VI SEPOLH (2023, Portugal), ministrando o workshop “As potencialidades da literatura para o trabalho em/de POLH”. É co-autora do livro Compartilhar é multiplicar: relato de uma experiência com o POLH na Itália. * Uyara Liege é idealizadora e coordenadora da iniciativa de POLH Brasilidade-Famílias com filhos plurilíngues. É ítalo-brasileira, nascida em Feira de Santana (BA) e, desde 2010, mora no exterior. É mãe, atua na área educacional desde 2000, formada em Pedagogia (UEFS/BA), especializada em Neuropsicologia (FACINTER/PR) e, em 2019, concluiu o curso Didática do Português Língua de Herança, pelo Instituto Camões (PT). O resultado do seu trabalho de conclusão deste curso foi apresentada na sessão de comunicação no IV SEPOLH (Simpósio Europeu sobre o Ensino de Português como Língua de Herança) em Florença e Pisa, Itália, 2019 e publicado no livro Bilinguismo e Línguas de herança: Construindo pontes e diálogos entre línguas-culturas. No Brasil, foi professora do ensino fundamental e formadora de professores. Na Itália, realiza laboratórios interculturais em escolas, colabora como educadora em associações, atua como pedagoga e realiza intervenções de habilitação/reabilitação com crianças, é intérprete e mediadora linguística. Em 2021, participou do “Curso de elaboração de materiais didáticos na Université Sorbonne-Nouvelle: o ensino de Português como Língua de Herança”. Esteve no IV SEPOLH (2019, Pisa, Itália) colaborando na organização do evento e apresentou o poster “Laboratório POLH: um resgate afetivo pelo viés da Língua Materna” e no V SEPOLH (2021, Barcelona, Espanha) como ouvinte e compartilhando o relato de experiência “O trabalho com gêneros textuais e a competência comunicativa em POLH”. É co-autora do livro Compartilhar é multiplicar: relato de uma experiência com o POLH na Itália.

Celebramos com profundo reconhecimento e alegria os doze anos de dedicação de dom Orani João Tempesta como cardeal e pastor da Igreja no coração do Rio de Janeiro. Desde 22 de fevereiro de 2014, quando foi elevado ao cardinalato pelo Papa Francisco no consistório realizado em Roma — um momento que marcou sua plena incorporação ao Colégio dos Cardeais — sua vida tornou-se um exemplo vivo de serviço, humildade e caridade, sempre próximo dos que mais sofrem e necessitam.

Ao longo dessa caminhada, dom Orani – que governa a Igreja carioca há 17 anos – mostrou algo essencial: a fé cristã só se torna verdadeiramente real quando se traduz em gestos concretos de amor e cuidado com o próximo. Como observou com precisão frei Ramon Assis, em artigo que ecoa o estilo de uma Igreja em saída e de um pastor que não se encerra nos salões nem no conforto de discursos, mas caminha para as ruas, acolhe os pobres, distribui pessoalmente alimento e cobertores, e leva esperança àqueles cujas vidas muitas vezes ficam ocultas pela pressa da cidade — “esta é a Igreja que queremos… uma Igreja onde seus líderes façam algo pelos pobres”.

Dom Orani nunca foi apenas um cardeal “de gabinete”: ele tem se realizado plenamente na prática da caridade, em sua sintonia com Deus que se faz presente no rosto dos empobrecidos, dos que sofrem nas esquinas e nos corações partilhados. Sua presença constante entre os fiéis, no acompanhamento de comunidades, na evangelização cotidiana e nas ações solidárias é testemunho concreto de que a fé que não age é fé morta — e a dele, ao contrário, é fé que se encarna em gestos de compaixão e compromisso.  Um verdadeiro andarilho do Rio de Janeiro, incansável: um homem que pode começar o dia em CampoGrande, passar por Paquetá, por Inhaúma e depois concluir a jornada em Ipanema. A celebração de seus cinquenta anos de sacerdócio – em 2024 – emocionou a todos que se reuniram, aos milhares, para a efeméride .

Nestes doze anos, dom Orani tornou-se um farol de esperança em tempos de grandes desafios sociais e humanos. Sua liderança tem inspirado muitos a ver que a verdadeira grandeza de um pastor não está na ostentação de títulos, mas no amor prestado aos últimos, na credibilidade de quem vive a coerência entre palavras e ações. Ele nos recorda que o discípulo de Cristo é chamado a sair de si mesmo para encontrar o outro, especialmente o mais vulnerável.

Ao olharmos para os próximos anos — sabendo que sua aposentadoria se aproxima e seu ministério irá, no mínimo, se transformar — somos ainda mais convidados a louvar a Deus pelo dom de sua vida e de seu ministério incansável. Que esta data seja celebrada não apenas como um marco cronológico, mas como um símbolo de serviço fiel, de fé viva e de amor sem medida.

Que a Igreja do Rio de Janeiro e do Brasil continue inspirada pelo exemplo de dom Orani João Tempesta: um pastor que ensinou com gestos concretos que o amor se faz lar, alimento, abraço e presença no meio do povo — exatamente como Jesus nos convidou a viver.

Parabéns pelos 12 anos de cardinalato, dom Orani — que o Senhor continue abençoando sua vida e sua missão com a mesma força que o conduziu até aqui.

– Cláudio André de Castro, Provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores.

– Frei Ramon Assis da Silva, Secretário do Vicariato Episcopal para as irmandades, Secretário da Comissão de Patrimônio, Comissário Administrativo e eclesiástico da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

 

 

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