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Diante do Papa, com o coração aberto em busca de Deus

“A paz esteja convosco. Felicidades, obrigado por estarem aqui. Deus abençoa todos os que o buscam de coração aberto. Que a bênção de Deus os acompanhe sempre neste belo dia, durante este novo ano.” Estas foram as palavras do Papa Leão XIV ao final da Audiência Geral de quarta-feira, 7 de janeiro, aos fiéis reunidos no pátio Petriano que não puderam entrar na Sala Paulo VI. Ao término da catequese, o Pontífice, caminhando pelo corredor central da Sala, apertou as mãos daqueles que o cumprimentavam, abençoou as pessoas presentes no átrio e, em seguida, dirigiu-se ao pátio em frente, onde fez uma breve saudação.

Influencer do bem

Após a catequese, o Papa cumprimentou Adrian Ruiz Pelayo, um espanhol de 35 anos. Ele ouviu sua história: “Contei a Leão XIV o que tenho vivido desde abril passado, quando iniciei uma peregrinação ao estilo medieval, onde todos os dias tenho a oportunidade de descobrir as generosas dádivas da Providência manifestadas na bondade das pessoas que encontro. Praticamente, vivi o Jubileu da Esperança como um Jubileu do acolhimento”, disse o jovem, resumindo assim os sentimentos vividos diariamente desde que desembarcou em Marbella no aeroporto de Palermo e iniciou seu percurso a pé até Roma. Nos últimos meses, ele compartilhou sua aventura, denominada “Um caminho para descobrir”, em suas redes sociais. Na Espanha, ele é conhecido como “o influencer do bem”.

A bênção do Papa

“Vivo um dia de cada vez, confiando no altruísmo das pessoas que encontro. Nunca lhes pedi dinheiro, apenas água, comida e hospitalidade”, explicou, “e experimentei em primeira mão que os seres humanos são confiáveis.” Em Messina, recebeu de presente uma prancha de Stand Up Paddle para atravessar o Estreito, e a Autoridade Portuária verificou se tudo corria bem durante a travessia. Equipado apenas com uma mochila, carrega consigo um pequeno cipreste perene — a mesma espécie usada para fazer a cruz de Cristo — e na última quarta-feira pediu a Leão XIV que o abençoasse. “Depois, o levarei ao mosteiro franciscano de Santo Turíbio de Liébana, na Espanha, onde se encontra a relíquia de um fragmento da Santa Cruz”, disse. Agora que obteve a bênção do Papa, como prometido, “irei a Assis, jejuando durante todo o caminho até o túmulo de São Francisco.”

A Porta Santa e a sinodalidade

Muitos fiéis também participaram da Audiência Geral na Sala Paulo VI, após terem participado na última terça-feira (06/01), na Basílica Vaticana, do fechamento da Porta Santa, que encerrou o Jubileu da Esperança. Dentre eles estavam três cardeais: George Alencherry, da Índia, Daniel N. Di Nardo, dos Estados Unidos, e José Gregorio Rosa Chávez, de El Salvador. A irmã Nathalie Becquart, subsecretária do Sínodo dos Bispos, junto com seus pais, Marie Cristine e François Xavier, que vieram de Versalhes, estava entre os últimos fiéis a passar pela Porta Santa da Basílica de São Pedro. “Participar do rito de abertura e encerramento deste Ano Santo da Esperança permitiu-me compreender melhor o caminho contínuo da sinodalidade”, disse a religiosa do Instituto La Xavière – Missionárias de Cristo Jesus.

Saudações de Chiclayo

Cerca de quinze sacerdotes da Diocese de Trenton chegaram dos Estados Unidos, acompanhados por dom David M. O’Connell. “Vivemos este dia como um testemunho de amor pela Igreja e pelo Papa, um Papa que não é apenas estadunidense, mas universal”, disse um dos sacerdotes, apontando para as dez pessoas sentadas ao seu lado, vindas de Chiclayo, no Peru. Guiando o grupo, da diocese onde Prevost serviu como missionário e bispo, estava o padre Javier Cajusol. “Tive a sorte de viver a excepcional empatia de Leão XIV em Trujillo, onde ele foi meu professor de direito canônico, e de reencontrá-lo alguns anos depois em Chiclayo como um bispo humilde, sempre disposto a ouvir”, recordou o sacerdote, enfatizando como hoje, como Papa, “entre suas prioridades está claramente o desejo de unidade na Igreja e fraternidade no mundo”.

Da Eslováquia ao Vaticano

De Košice, na Eslováquia, partiu a peregrinação jubilar de cerca de cinquenta fiéis, acompanhados pelo agostiniano Paulo Benedik, prior da comunidade da sacristia vaticana por treze anos — até setembro de 2024 —, que esteve entre os concelebrantes na Basílica de São Pedro na missa da Epifania do Senhor. “Estamos aqui em peregrinação orante, abrindo nossos corações a Nosso Senhor e aos apelos do Papa por uma paz desarmada e desarmante”, disse ele, enfatizando mais uma vez como “Leão XIV é um homem de diálogo”. Também da Eslováquia, especificamente de Rabča, no norte do país, perto da fronteira com a Polônia, os jovens músicos do Conjunto Folclórico Čučoriedky animaram a espera pela chegada do Papa.

Vida de circo

Ao final da Audiência Geral, o Bispo de Roma também cumprimentou 40 artistas, incluindo acrobatas, trapezistas e malabaristas do Circo Zoppis, vindos da Argentina, Chile, México, Espanha, França e Etiópia, em turnê por Roma com o espetáculo “Evolução – O circo do futuro”. “Tentamos combinar performances de tirar o fôlego com espetáculos de luzes incríveis, projeções interativas, drones e figurinos com efeitos a laser”, explicaram alguns deles, vestindo, para a ocasião, os mesmos figurinos fluorescentes que usaram no palco. “Não somos personagens digitais, mas pessoas reais que desafiam a gravidade, o equilíbrio e as limitações físicas com talento e determinação. Porque, no fim das contas, o melhor jogo é a própria vida, e a melhor tela”, concluíram, “é aquela que você vê com seus próprios olhos.”

 

 

 

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