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Chuvas em Minas: sobe o número de mortos e Igreja Católica intensifica ações

O número de mortos em consequência dos deslizamentos e enchentes provocados pelas fortes chuvas na Zona da Mata Mineira chegou a 53. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (26/02) pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais.

Segundo as autoridades, em Juiz de Fora foram registradas 47 mortes e 13 pessoas seguem desaparecidas. Já em Ubá, o número de mortos chegou a seis, com dois desaparecidos. A prefeitura de Juiz de Fora informou que mais de 3,5 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas, e que a Defesa Civil contabilizou cerca de 1.300 ocorrências desde o início da semana.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que Juiz de Fora registrou 113 milímetros de chuva em apenas seis horas. O acumulado de fevereiro já chega a 733 milímetros, volume 4,3 vezes superior à média histórica para o mês.

João Paulo, missionário da Comunidade Católica Shalom, Juiz de Fora, relatou a gravidade da situação: “a cidade está passando por um momento muito drástico. A cada dia a previsão é de chuvas fortes até sábado, e a situação só piora. Inicialmente, bairros como Linhares, Parque Burnier e a região leste foram os mais afetados. Agora, com a chuva, outras áreas também sofrem com alagamentos e deslizamentos, incluindo o centro da cidade. Ontem, por exemplo, a passagem pluvial conhecida como ‘mergulhão’ ficou totalmente alagada, dificultando a circulação”.

Igreja manifesta solidariedade e intensifica ações de apoio

Outro município gravemente atingido é Matias Barbosa, que ficou completamente alagado, incluindo a Igreja Matriz. A prefeitura decretou estado de calamidade pública, assim como em Juiz de Fora e Ubá.

Em nota divulgada na quarta-feira (25/02), o arcebispo eleito de Juiz de Fora, dom Marco Aurélio Gubiotti, manifestou solidariedade às famílias das vítimas, aos feridos e aos desabrigados. Ele afirmou que a Igreja é chamada a viver concretamente a caridade neste momento de dor e assegurou suas orações pelos mortos e por todos os atingidos, confiando-os à misericórdia de Deus e à intercessão de Nossa Senhora Aparecida.

O administrador apostólico da arquidiocese, dom Gil Antônio Moreira, esteve no Cemitério Municipal na quarta-feira (25/02), onde prestou solidariedade às famílias enlutadas.

“Pudemos levar uma palavra de consolo e fortaleza. Estamos em meio a um grande velório, mas também a um grande movimento de solidariedade. Todas as paróquias estão recebendo doações”, declarou.

No mesmo dia, o arcebispo visitou o bairro Tiguera, acompanhou os trabalhos de busca e ofereceu apoio às famílias atingidas. Ao lado do pároco Pe. Carlos Arlindo, ele esteve na área mais afetada, onde equipes da Defesa Civil continuam as buscas. No local, rezou pelas vítimas e destacou o empenho da Igreja na arrecadação de alimentos, água, colchões e materiais de limpeza.

Diocese de Leopoldina mobiliza padres e comunidades

O bispo da Diocese de Leopoldina, dom Edson José Oriolo dos Santos, determinou a interrupção do retiro espiritual dos sacerdotes e o retorno imediato às paróquias de Ubá. Desde então, os padres passaram a prestar assistência espiritual e apoio direto às famílias atingidas, em colaboração com as autoridades.

As paróquias foram transformadas em pontos de arrecadação de donativos, como alimentos, água, roupas e materiais de higiene e limpeza, destinados às famílias desalojadas.

Sacerdote relata dor e esperança em meio à tragédia

O pároco da Paróquia São José Operário, Pe. Edson Ribeiro, descreveu como “muito dolorosa” a situação enfrentada pelos moradores de Ubá após as fortes chuvas que atingiram a região. Segundo ele, muitas famílias perderam casas, fontes de renda e até entes queridos.

O sacerdote relatou que, apesar da dimensão da tragédia, a solidariedade tem sido um sinal de esperança. “O povo, apesar do sofrimento, continua firme”, afirmou, destacando o trabalho voluntário e a chegada de doações vindas de diversas localidades para ajudar as vítimas.

De acordo com o padre, ainda não é possível medir completamente o impacto da destruição, já que há áreas de difícil acesso. Ele ressaltou que a Igreja Católica tem desempenhado um papel importante no apoio às famílias, tanto na assistência espiritual quanto na mobilização concreta de ajuda.

Padre Edson também contou que, quando as primeiras notícias chegaram, os padres da Diocese de Leopoldina estavam em retiro espiritual em Ouro Preto, mas os próprios fiéis iniciaram ações de resgate. Segundo ele, paroquianos utilizaram barcos para salvar moradores isolados pelas águas, em meio a cenários de destruição.

Atualmente, a principal necessidade da população é a doação de alimentos, água potável e materiais de higiene e limpeza, já que a cidade ainda enfrenta grande acúmulo de lama. O sacerdote destacou ainda a importância da oração e da união neste momento, expressando confiança de que, com fé e solidariedade, a comunidade conseguirá se reconstruir.

Solidariedade marca apoio às vítimas das chuvas

Em Juiz de Fora, a mobilização da população para apoiar as famílias afetadas pelas chuvas tem se intensificado. João Paulo, missionário da Comunidade Shalom, destaca que a comunidade atua na linha de frente, auxiliando paróquias e distribuindo materiais de limpeza, produtos de higiene e água às famílias. “A cidade vizinha de Matias Barbosa também foi muito afetada e necessita de apoio”, disse.

Lais Alves, missionária Shalom e coordenadora da Promoção Humana em Juiz de Fora, relatou que a equipe mantém contato direto com as famílias para identificar suas necessidades mais urgentes. Inicialmente, a ação começou com arrecadação de roupas, mas se estendeu a alimentos, produtos de higiene e materiais de limpeza. A mobilização também alcançou o bairro Linhares, uma das áreas mais afetadas, onde a equipe se uniu à Paróquia Nossa Senhora Aparecida para organizar cestas básicas e distribuir doações.

“Embora já tenhamos arrecadado muitas roupas, a maior demanda neste momento é por alimentos não perecíveis e marmitas prontas, para garantir que as famílias tenham o que comer imediatamente”, explicou Laís. Segundo ela, a população tem se mostrado solidária, mas a prioridade continua sendo a alimentação das famílias atingidas.

 

 

 

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