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Alimento da alma: a importância da leitura espiritual na Quaresma

Durante a Quaresma, sempre recomendo que os penitentes busquem fazer uma leitura espiritual, pois é fundamental iluminar a consciência e estimular o intelecto para as realidades do Alto. Quando entramos em contato com um conteúdo espiritual verdadeiro, todo o nosso ser deseja, com vivacidade, uma experiência mais profunda. É o Duc in altum: o lançar-se às águas mais profundas. Recordo-me de tantos que, a partir de boas leituras, converteram-se e tornaram-se grandes santos de nossa Igreja. Cito dois: São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loyola.

Para que haja bons frutos, faz-se mister fazer boas escolhas. Hoje, ao visitar uma livraria secular, nota-se que os livros de espiritualidade costumam estar na seção de autoajuda. Devemos ter cuidado com isso! A escolha deve ser positiva e estimular o real crescimento espiritual, por meio de obras que estejam em plena conformidade com a nossa doutrina. Por essa razão, procuro indicar livros específicos aos meus dirigidos e paroquianos; assim, o caminho torna-se mais seguro e evita-se o erro.

Indico sempre a hagiografia, ou seja, livros escritos pelos santos ou acerca de suas vidas. O termo vem do grego hagios (santo) e graphein (escrever). Um bom livro hagiográfico cristão faz o leitor aspirar à santidade de modo intenso. Recordo-me de quando li O Irmão de Assis, de Ignacio Larrañaga. Terminei a leitura aos prantos, com um desejo profundo de ofertar minha vida totalmente a Nosso Senhor, como fez o Poverello.

Deixo aqui algumas sugestões: Imitação de Cristo (Tomás de Kempis); Castelo InteriorCaminho de Perfeição ou Livro da Vida (Santa Teresa d’Ávila); História de uma Alma (Santa Teresinha); Padre Pio sob Investigação (Francesco Castelli); Filoteia (São Francisco de Sales); as Obras Completas de São João da Cruz; ou Elevação da Mente a Deus (São Roberto Belarmino); Peregrino Russo (autor anônimo).

Além das obras dos santos, pode-se ler um livro das Sagradas Escrituras. Os mais indicados para o tempo da quaresma são: Êxodo, Números, Deuteronômio, Isaías, Epístola aos Romanos ou um dos quatro Evangelhos. Seria extremamente propício realizar essa prática em forma de Lectio Divina: divide-se a quantidade de capítulos do livro pelos 40 dias e reza-se com eles diariamente.

Por vezes, vejo pessoas que não conseguem ler um único livro espiritual, geralmente por falta de incentivo ou por não possuírem o hábito da leitura. Ao propor-se uma leitura espiritual na Quaresma, ao menos uma vez ao ano, o intelecto passa a ser alimentado com um conteúdo de qualidade.

A leitura transforma nossa mentalidade. É uma metanoia, uma conversão. Quantas vezes somos moldados por pensamentos que nos rodeiam, mas que são contrários ao plano divino para a humanidade! Há pessoas que absorvem e reproduzem ideias inconscientemente, sem se darem conta do que elas realmente significam. Ler o livro de um santo nos permite tocar os pensamentos daqueles que já trilharam a peregrinação terrena e alcançaram o céu. Eram homens e mulheres como nós, com todas as contingências humanas, mas com o coração ancorado no Alto.

Esta atitude nos permite “ler o santo” em sua doutrina e vida, e assim imitá-lo. Que nossas leituras espirituais sejam, portanto, um suporte seguro para o nosso trajeto quaresmal e que, ao chegarmos à Páscoa, tenhamos um coração mais voltado ao Senhor.

 

 

 

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