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A espiritualidade de Dom Bosco, uma bússola na era digital

Após o encontro com o Papa Leão XIV na quarta-feira à tarde na Sala do Sínodo, no Vaticano, os religiosos da USG (União dos Superiores Gerais) reuniram-se na quinta-feira na Fraterna Domus em Sacrofano, nas proximidades de Roma, no âmbito da 104ª Assembleia Geral, para um encontro sobre o tema: “A oração hoje: tradições religiosas em comparação”. Estiveram presentes o reitor-mor dos Salesianos, padre Fabio Attard, o padre beneditino Jeremias Schröder e o irmão Pascal Ahodegnon (“Fazei o bem, irmãos”, Ordem Hospitaleira de São João de Deus). O padre Attard deteve-se sobre como a espiritualidade salesiana ainda está viva e como pode continuar a ser âncora espiritual no mundo de hoje.

A experiência de Dom Bosco

“Toda espiritualidade é moldada pelo seu contexto, mas também bem sabemos que, sendo um dom do Espírito, toda tradição espiritual consegue se tornar uma experiência capaz de se encarnar não apenas no tempo em que surge, mas em todas as épocas. Seria um grave erro – enfatizou o padre Attard – se essa compreensão fundamental de toda tradição espiritual faltasse. Basta observar o grande dom que as diversas tradições que marcaram os séculos e continuam a fazê-lo hoje ainda oferecem à Igreja e ao mundo inteiro: as tradições beneditina, franciscana, dominicana e inaciana. Sua vitalidade é o sinal mais claro e encorajador de que hoje somos chamados a encarar o novo sem medo e sem inibição.” Com foco na tradição espiritual salesiana, o reitor-mor falou do carisma educativo e pastoral que emergiu da experiência de Dom Bosco, o qual “assumiu formas típicas que ainda hoje o caracterizam. O encontro desejado e buscado com a realidade dos jovens, o desejo de encarnar-se na história dos jovens que encontrava – onde eles estão, como eles são – tornou-se um ponto fixo, pois a partir dessa escolha, fundada em relações de amor, fraternidade e confiança mútua entre jovens e pastores, uma proposta pastoral foi gradualmente tomando forma. As quatro dimensões que caracterizam toda proposta pastoral salesiana, já claramente evidentes na vida de Dom Bosco, não são objetivos a serem alcançados – recordou o padre Fabio Attard – mas processos e experiências que devem nascer dentro dessa relação pastoral.”

O Sistema Preventivo

Segundo o salesiano, “são processos interligados que se concentram na pessoa integral: educação na fé, promoção da cultura, vivência em grupo e dimensão vocacional. São escolhas pastorais que somos chamados a interpretar em cada contexto e cultura. Este trabalho de interpretação da proposta começa sempre com a situação atual das crianças e jovens que acompanhamos.” Por fim, o padre Attard enfatizou a importância do “sistema preventivo”, que é “um legado carismático que ainda hoje nos permite, a nós salesianos e aos muitos leigos que vivem e partilham conosco a missão salesiana, estabelecer processos educativos e pastorais em todos os continentes e em todas as culturas. Foi isso que Dom Bosco vivenciou e depois formulou no final da sua vida. O “Sistema Preventivo” ainda hoje consegue criar espaços de convergência humana e pastoral, educativa e espiritual com jovens de todas as religiões e sem religião, de todas as culturas e em todos os continentes.”

Espiritualidade hospitaleira na era da IA

O irmão Ahodegnon refletiu sobre a espiritualidade hospitaleira na era da inteligência artificial (IA) e da tecnologia digital, recordando que, neste mundo onde milhões de pessoas “clamam a sua solidão, o seu sofrimento, a sua necessidade de sentido, já não em voz alta, mas no silêncio ensurdecedor das redes sociais, fóruns e de chats”, chegou a hora de parar e refletir. “Parar para amar, parar para olhar, ouvir, tocar, curar. É precisamente esta ‘parada’ que São João de Deus personificou nas ruas de Granada e que tem sido o DNA da nossa Ordem durante quase cinco séculos. A nossa missão – acrescentou – não é resistir à era digital, mas transfigurá-la, transformá-la e habitá-la com o nosso carisma. Para nós, irmãos e colaboradores, trata-se de trilhar este novo caminho, fertilizando a terra árida do esquecimento e do isolamento com a hospitalidade evangélica. Para cumprir esta missão, devemos lembrar-nos de onde viemos e de quem somos. É enraizando-nos na rocha da nossa tradição que seremos capazes de enfrentar os ventos da mudança.” A partir daí, o irmão Ahodegnon lembrou que “a espiritualidade hospitaleira na era da inteligência artificial e do digital não é uma herança a ser preservada, mas uma semente a ser plantada no novo mundo. Ela está mais viva e necessária do que nunca”. Os trabalhos da USG prosseguiram na tarde de quinta-feira com o padre Carlo Casalone, jesuíta, que fez uma apresentação sobre “Inteligência Artificial e Mídias Sociais: Impactos Antropológicos e Espirituais na Oração”. Esta sexta-feira, destaque para um encontro sobre “Os Abusos Espirituais”, com uma apresentação da irmã Tiziana Merletti, secretária do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Em seguida, uma apresentação do Dr. Tomás Insua, diretor do Instituto Laudato Si’, sobre o significado de celebrar o “Mistério da Criação em Cristo”.

 

 

 

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