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Cultura da Vida: o sentido da vida diante das crises

Olá, amigos da Rádio Vaticano. Aqui quem fala é Marlon e Ana Derosa para mais um Espaço Cultura da Vida. Hoje queremos falar sobre o sentido da vida diante dos dilemas e fragilidades do nosso tempo, como ansiedade, depressão, solidão e vícios.

Para proclamar a cultura da vida que a Igreja nos pede, precisamos aprender a reconhecer o valor da vida humana em todos os seus momentos, inclusive quando a vida é marcada pelas dificuldades e sofrimentos.

Quantas pessoas enfrentam hoje problemas como depressão, ansiedade e solidão, situações que nos colocam diante da nossa própria fragilidade. Há também aquelas pessoas que se encontram reféns de vícios, como o uso excessivo de telas e redes sociais, ou a problemas ainda mais graves relacionados ao álcool e às drogas. São situações que fazem mal para a própria pessoa e para os seus relacionamentos.

Nesses momentos difíceis, a desesperança pode surgir, mas não podemos esquecer que o sofrimento e as dificuldades não diminuem o valor de uma vida.

Quando uma pessoa atravessa um momento de dificuldades, não deve enfrentá-lo sozinha. É preciso buscar ajuda e os recursos que possam contribuir para sua recuperação. O apoio da família e dos amigos, a presença da comunidade, o acompanhamento de profissionais capacitados e a vida espiritual podem e devem caminhar juntos nesse processo.

O cristão jamais pode esquecer de perseverar e buscar auxílio para superar os problemas que a vida apresenta. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou uma mensagem clara de esperança e de vida: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

Encontramos o sentido maior da nossa vida em Deus e no amor que Ele tem por nós. Ele nos amou por primeiro. E esse amor não desaparece quando há dificuldades. Deus não ama menos aquele que está deprimido, que sofre com a ansiedade, que enfrenta uma dependência ou que atravessa uma fase em que não consegue sequer perceber Sua presença.

Contemplar o amor de Deus é um exercício de oração e um exercício mental, para que possamos ser gratos a tudo, mesmo diante das dificuldades. Mesmo na dor ou em situações que nos parecem sem saída, devemos nos esforçar para refletir sobre o amor de Deus. E assim, nossa vida encontra mais sentido quando aprendemos, pouco a pouco, a responder a esse amor: amando a Deus e amando aqueles que Ele coloca em nosso caminho.

Nas palavras do papa Bento XVI, na Encíclica Spe Salvi: “Podemos procurar limitar o sofrimento e lutar contra ele, mas não podemos eliminá-lo” e assim, tantas vezes, pela busca de evitar o sofrimento a todo custo, pode-se encontrar a falta de sentido e a solidão. Nesses momentos, é preciso lembrar que o próprio Cristo nos ajuda a caminhar, para “encontrar o seu sentido através da união com Cristo, que sofreu com infinito amor.” (Spe Salvi, 37).

Em Cristo, podemos ter esperança, guiados pelo amor de Deus por nós. Bento XVI escreveu que “Os santos puderam percorrer o grande caminho do ser-homem no modo como Cristo o percorreu antes de nós, porque estavam repletos da grande esperança. “ (Spe Salvi, 39). Ou seja, eles viveram grandes dificuldades e sofrimentos, mas seguiam sempre unidos a Cristo e sustentados por Ele.

Por isso, a cultura da vida deve ser proclamada com a esperança, uma esperança  e confiança de que, seja na injustiça para com os mais fragilizados, seja na dor que vivemos nós mesmos, a vida é sempre um bem e deve ser vivida sob o olhar transcendente do amor divino, em companhia de Jesus e Maria.

A cultura da vida, é posta em prática quando estamos atentos aos que estão próximos de nós e necessitam de ajuda, seja com serviços sociais e caritativos, apoio especializado para problemas de saúde mental, seja também com a necessidade de obras de misericórdia espirituais, para redescobrir o Evangelho da Vida.  No Brasil, a Igreja irá celebrar no início de outubro, a Semana Nacional da Vida, que traz o tema do sentido da vida.

Este é mais um convite para renovar nossos esforços em colocar em relevo o valor incomparável que a vida humana possui em todos os momentos, do seu início ao seu fim natural, mesmo na dor, depressão ou angústia, ninguém jamais deve perder a esperança. Devemos lembrar constantemente que a vida é sempre um bem.

Este foi o Espaço Cultura da Vida desta semana. Um abraço e até a próxima!

 

 

 

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