O esporte como agente de transformação social
A partir da intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de junho de 2026, que dedica os valores do esporte à construção da fraternidade e do diálogo entre os povos, o trabalho articula fundamentos da Teoria Integradora do Esporte com evidências históricas e contemporâneas sobre o poder transformador das práticas esportivas. Examina-se o esporte como linguagem universal que transcende fronteiras culturais e políticas, promovendo inclusão social, resolução de conflitos e desenvolvimento sustentável. Conclui-se que a Copa do Mundo constitui uma plataforma única para o exercício da diplomacia esportiva, cujo potencial pacificador deve ser reconhecido e ampliado por meio de políticas públicas integradas e de uma governança global comprometida com os valores fundamentais da dignidade humana.
Em junho de 2026, às vésperas do início da Copa do Mundo de Futebol, a maior da história, realizada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México, o Papa Leão XIV dedicou sua intenção de oração mensal aos valores do esporte.
Em sua mensagem, o Pontífice elevou a seguinte súplica: “Senhor da vida, agradecemos-Te pelo dom do esporte, por aqueles que glorificam a Deus com o exercício dos seus corpos, pelas amizades que nascem no campo e pela alegria de jogar em equipe”.
O Santo Padre suplicou que o esporte seja sempre “escola de fraternidade e não de rivalidade vazia, espaço de encontro e não de exclusão, caminho de paz e não de violência”. Ao fazê-lo, Leão XIV não apenas ecoou uma tradição milenar que remonta à Trégua Olímpica da Grécia Antiga, mas também ofereceu ao mundo uma chave de leitura para compreender o papel transformador do esporte na sociedade contemporânea.
A escolha do tema não foi fortuita. O mês de junho de 2026 é marcado pelo início do Mundial de Futebol, que reunirá 48 seleções nacionais em 104 partidas disputadas em três países. Em um cenário internacional tensionado por conflitos armados, polarizações políticas e crises humanitárias, a mensagem do Papa ressoa como um chamado à esperança e à reconciliação. “Competir sem odiar, ganhar sem humilhar, perder sem se perder”, exortou o Pontífice aos atletas olímpicos em abril de 2026.
Este artigo propõe-se a investigar, a partir da Teoria Integradora do Esporte desenvolvida em minha trajetória acadêmica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, as múltiplas dimensões do fenômeno esportivo como agente de transformação social. Sustentamos que o esporte, especialmente em sua manifestação mais universal, a Copa do Mundo de Futebol, constitui um poderoso instrumento de construção da paz, de promoção da dignidade humana e de efetivação de direitos fundamentais.
Para tanto, o trabalho se estrutura em cinco seções: (i) fundamentos teóricos da integração entre esporte e sociedade; (ii) o esporte como linguagem universal e escola de valores; (iii) a Copa do Mundo como plataforma de paz e diplomacia; (iv) desafios e contradições; e (v) perspectivas para o futuro.
FUNDAMENTOS TEÓRICOS: A TEORIA INTEGRADORA DO ESPORTE E A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
A compreensão do esporte como fenômeno social de relevância ímpar requer um arcabouço teórico capaz de superar as fragmentações tradicionais entre as esferas pública e privada, entre o direito estatal e a autonomia das entidades esportivas.
É nesse contexto que se insere a Teoria Integradora do Esporte, por mim desenvolvida ao longo de décadas de pesquisa no âmbito do Direito Desportivo brasileiro.
A Teoria Integradora propõe uma visão sistêmica do fenômeno esportivo, no qual o Direito atua como articulador entre a lex sportiva, o conjunto de normas e princípios que regem as competições e a ordem jurídica estatal, em prol da efetividade do direito ao esporte.
Trata-se de um modelo de integração e cooperação, que reconhece no esporte não apenas uma atividade lúdica ou competitiva, mas um elemento estruturante da cidadania e da dignidade da pessoa humana.
Com efeito, o esporte transcende a mera prática física. Como explorei em trabalhos anteriores, ele se insere no movimento de transição do constitucionalismo liberal para o constitucionalismo societário, no qual o centro de gravidade do sistema jurídico desloca-se do indivíduo abstrato para a pessoa concreta, inserida em suas relações comunitárias.
O esporte, nessa perspectiva, é simultaneamente direito e dever do Estado, fenômeno privado e interesse público, celebração da liberdade individual e expressão da solidariedade coletiva.
A Organização das Nações Unidas (ONU) sempre considerou o esporte uma importante ferramenta para lidar com questões de desenvolvimento, trabalhando com governos, setor privado, academia e sociedade civil para estimular políticas que promovam o direito à prática esportiva.
O reconhecimento do esporte como elemento da dignidade da pessoa humana impõe uma compreensão ampliada: o esporte não se apresenta como atividade acessória, mas como vetor essencial de inclusão social, formação de valores e construção de comunidades mais justas e coesas.
É precisamente nesse ponto que a Teologia encontra o Direito em prol da cidadania. A mensagem de Leão XIV, para quem o esporte “nos ensina que na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho”, encontra ressonância na concepção jurídica do esporte como bem comum, cuja garantia e promoção devem ser compartilhadas entre Estado, entidades desportivas e sociedade civil.
A Teoria Integradora oferece, assim, o instrumental normativo para que os valores proclamados pelo Papa: fraternidade, respeito, solidariedade, se traduzam em políticas públicas efetivas e em práticas institucionais concretas.
O ESPORTE COMO LINGUAGEM UNIVERSAL E ESCOLA DE VALORES
A transversalidade dos valores esportivos
O esporte possui uma capacidade única de transmitir valores que transcendem as fronteiras do campo de jogo e se irradiam para toda a sociedade.
Como assinala o Papa Leão XIV, “numa sociedade marcada pela solidão, na qual o individualismo exagerado deslocou o centro de gravidade do ‘nós’ ao ‘eu’”, o esporte, especialmente quando praticado em equipe, “ensina o valor da colaboração, de caminhar juntos”.
Entre os valores fundamentais promovidos pela prática esportiva, destacam-se:
– Respeito: às regras, aos adversários, aos árbitros, à diversidade;
– Solidariedade: o reconhecimento de que ninguém vence verdadeiramente sozinho;
– Disciplina: a capacidade de perseverar na busca de objetivos;
– Fair play: a integridade ética que antecede a própria vitória;
– Superação: a coragem de enfrentar limites e aprender com a derrota.
O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, padre Cristóbal Fones, S.J., sublinha que “o esporte é um desses espaços únicos onde a humanidade se encontra de verdade. Na cancha, pessoas de nações distintas compartilham o esforço, a alegria da vitória e o dolor da derrota”.
Em um mundo fragmentado por nacionalismos e exclusões, o esporte se oferece como antídoto à indiferença.
O esporte como instrumento de inclusão social e prevenção da violência
Para além da dimensão simbólica, o esporte tem demonstrado resultados concretos na promoção da inclusão social e na prevenção da violência, especialmente entre crianças e jovens em situação de vulnerabilidade. Estudos indicam que programas de apoio ao esporte podem reduzir em até 30% os índices de criminalidade em comunidades de alta vulnerabilidade.
O reconhecimento do esporte como canal de socialização positiva e inclusão social é revelado pelo crescente número de projetos esportivos destinados a populações marginalizadas.
Nesse sentido, o esporte atua simultaneamente em múltiplas frentes: oferece alternativa saudável ao ócio e à criminalidade; promove a integração de pessoas com deficiência; estimula a igualdade de gênero; e cria espaços seguros para o diálogo e a convivência pacífica.
A prática esportiva serve como instrumento de integração de pessoas e comunidades, incentivo à participação e combate às desigualdades sociais.
A agenda internacional reconhece explicitamente esse potencial. Em abril de 2026, o Dia Internacional do Esporte para o Desenvolvimento e a Paz foi celebrado sob o tema “Esporte: Construindo Pontes, Rompendo Barreiras”, ressaltando a capacidade particular do esporte de promover conexão, inclusão e paz em um mundo cada vez mais fragmentado.
O esporte na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
O esporte figura como importante facilitador para a promoção do desenvolvimento sustentável, estando alinhado a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas. Entre as contribuições mensuráveis, destacam-se:
– Saúde e bem-estar (ODS 3): promoção da saúde física e mental por meio da atividade física regular;
– Educação de qualidade (ODS 4): programas como o Futebol nas Escolas integram esporte e aprendizado;
– Igualdade de gênero (ODS 5): empoderamento de meninas e mulheres por meio do esporte;
– Redução das desigualdades (ODS 10): inclusão de pessoas com deficiência e grupos marginalizados;
– Paz, justiça e instituições eficazes (ODS 16): construção de sociedades pacíficas e inclusivas. A Fifa, por sua vez, tem desenvolvido iniciativas sistemáticas nessa direção. O programa Football for Hope, lançado em 2005, já investiu milhões de dólares em organizações que combinam futebol e desenvolvimento social em todo o mundo.
Na Copa do Mundo de 2026, a entidade planeja destacar campanhas de impacto social focadas na promoção da unidade, no combate ao racismo e no incentivo à atividade física entre os jovens.
A COPA DO MUNDO COMO PLATAFORMA DE PAZ E DIPLOMACIA
A tradição da Trégua Olímpica e sua atualidade
A cultura do esporte como instrumento de paz remonta a séculos de história. A Trégua Olímpica, conhecida na Grécia Antiga como Ekecheiria, nasceu no século IX a.C. de um acordo entre cidades-estado em conflito para garantir a participação segura nos Jogos, convertendo o esporte numa ponte de diálogo e convivência pacífica.
O Comitê Olímpico Internacional retomou esse espírito nos anos 1990, apostando no poder transformador do esporte como ferramenta de paz e reconciliação.
A Copa do Mundo de Futebol, por sua magnitude e alcance planetário, herda e amplifica essa tradição. Com audiência estimada em bilhões de espectadores em todo o mundo, o torneio oferece uma plataforma única para mensagens de unidade, tolerância e paz.
Como observou o Papa Leão XIV, “o esporte é um caminho para construir a paz, porque é uma escola de respeito e lealdade, que faz crescer a cultura do encontro e a fraternidade”.
A Copa do Mundo de 2026: contexto e desafios
A edição de 2026 da Copa do Mundo apresenta características inéditas que a tornam particularmente relevante para a análise das relações entre esporte e paz. Pela primeira vez na história, o torneio será realizado em três países: Estados Unidos, Canadá e México, um fato que por si só simboliza a cooperação internacional em tempos de crescente unilateralismo.
Ocorrendo em meio a um cenário internacional turbulento, com conflitos armados ativos, tensões geopolíticas e crises migratórias, a Copa de 2026 “reúne elementos inéditos” que a transformam em uma arena diplomática global de primeira grandeza. Mais do que um torneio de futebol, ela se converte numa gigantesca plataforma onde questões migratórias, rivalidades geopolíticas e estratégias de soft power se entrecruzam.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, reconheceu explicitamente essa dimensão ao afirmar que, embora a Fifa “certamente não possa resolver conflitos geopolíticos globais”, a entidade fará uso do futebol e da Copa do Mundo para “unir as pessoas, construir pontes e promover compreensão e paz entre pessoas de todo o mundo”.
Nessa direção, a campanha Football Unites the World da Fifa será promovida durante o torneio, com jogadores e árbitros usando o emblema Unite for Peace em suas camisas durante a fase de grupos, destacando o papel do esporte no fomento ao diálogo, ao respeito e à coesão social.
A diplomacia esportiva em ação
O potencial da Copa do Mundo como instrumento de diplomacia não é meramente retórico. Em 2022, às vésperas da Copa do Catar, o presidente da Fifa fez um apelo por um cessar-fogo na guerra na Ucrânia durante o torneio, pedindo que todos os lados usassem o evento como um “gatilho positivo” para retomar o diálogo em direção a uma resolução pacífica do conflito. Infantino argumentou que a Copa do Mundo, assistida por bilhões de pessoas, oferecia “uma plataforma única de união e paz global”.
A Copa de 2026 já se viu diante de situações que testam sua capacidade diplomática. A participação do Irã no torneio reacendeu tensões diplomáticas, com debates sobre a segurança das delegações e a adequação da presença de determinados países em solo norte-americano.
Esses episódios evidenciam tanto os desafios quanto as oportunidades que os megaeventos esportivos oferecem para o diálogo internacional, oportunidades que, como alerta o Papa, não podem se perder em “rivalidade vazia” ou “exclusão”.
A Copa do Mundo de 2026, com sua dimensão ampliada, 48 seleções, 104 partidas, três países, pode “transformar-se numa gigantesca arena diplomática global”.
O desafio, como nos ensina a Teoria Integradora, é assegurar que a cooperação entre as entidades esportivas, os Estados e a sociedade civil converta esse potencial em legados concretos de paz e desenvolvimento.
DESAFIOS E CONTRADIÇÕES
A instrumentalização política do esporte
Não se pode ignorar que o esporte, por sua própria importância simbólica, também está sujeito a instrumentalizações políticas e ideológicas.
Ao longo do século XX, diferentes regimes compreenderam rapidamente o potencial mobilizador do esporte como ferramenta de legitimação política e propaganda nacional.
A Copa de 1934 na Itália fascista, a Copa de 1978 na Argentina sob ditadura militar e mesmo a Copa de 2022 no Catar, como símbolo da ascensão dos Estados do Golfo na diplomacia esportiva, são exemplos de como o torneio pode servir a interesses alheios aos valores fundamentais do esporte.
O Papa Francisco já advertira para o risco de o esporte se tornar “espetáculo” em vez de “escola”, alertando contra “rivalidades vazias” e “exclusão”. Seu sucessor, Leão XIV, retoma essa preocupação ao pedir que o esporte seja “caminho de paz e não de violência”.
Direitos humanos e megaeventos esportivos
Outro desafio central diz respeito à compatibilidade entre a realização de megaeventos esportivos e a proteção dos direitos humanos. Em 2026, pela primeira vez, a Fifa implementou um “Marco de Direitos Humanos” obrigatório no processo de candidatura, prevendo consultas às comunidades afetadas.
Contudo, levantamentos da Human Rights Watch indicam que a maioria das cidades-sede ainda não implementou integralmente as medidas estipuladas.
A contradição é evidente: enquanto o futebol pretende representar a universalidade e a integração global, ele permanece profundamente condicionado pelas estruturas de poder e pelas tensões políticas do mundo contemporâneo.
A Teoria Integradora responde a essa contradição propondo um modelo de governança que integre e não separe as esferas esportiva, estatal e social, de modo que os megaeventos sirvam efetivamente à promoção da dignidade humana e não apenas aos interesses econômicos ou geopolíticos.
O gigantismo e seus impactos
A Copa do Mundo de 2026, com 48 seleções e 104 partidas, levanta ainda questões sobre sustentabilidade ambiental e sobrecarga das cidades-sede. O impacto de carbono estimado em 3,7 milhões de toneladas de CO₂, já ultrapassado diante do aumento do número de partidas, acende um alerta sobre os limites do modelo atual de megaeventos.
Esses desafios não invalidam o potencial pacificador do esporte, mas exigem uma abordagem mais responsável e integrada, na qual os valores proclamados, fraternidade, respeito, solidariedade, orientem também as dimensões logística, econômica e ambiental dos grandes eventos.
PERSPECTIVAS: CONSTRUINDO A PAZ NO SÉCULO XXI
O esporte como política pública
A efetivação do direito ao esporte como elemento da dignidade humana requer políticas públicas articuladas nos níveis local, nacional e internacional.
O grupo de trabalho Esporte para o Desenvolvimento e a Paz, coordenado pela UNESCO e integrado por agências como UNICEF, PNUD e ONU-Mulheres, exemplifica esse esforço de coordenação.
Essas iniciativas contemplam desde a promoção do esporte como ferramenta de empoderamento de mulheres e meninas até o apoio a organizações que trabalham com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
No Brasil, a experiência de programas sociais esportivos demonstra o potencial transformador do esporte quando integrado a políticas públicas consistentes.
A Teoria Integradora defende que tais programas devem ser não apenas ampliados, mas juridicamente assegurados como direito fundamental, integrando as dimensões educacional, sanitária e assistencial das políticas estatais.
O legado da Copa do Mundo 2026
Para além das partidas e dos campeões, a verdadeira medida do sucesso da Copa do Mundo de 2026 será seu legado social.
A FIFA Foundation Refugee Programme, desenvolvido em parceria com o ACNUR, e o Unite for Education, que incentiva oportunidades de aprendizado global, são exemplos de iniciativas que buscam converter a atenção mundial sobre o torneio em benefícios tangíveis para as populações mais vulneráveis.
O Papa Leão XIV, ao concluir sua oração, pede que o Espírito Santo nos faça “uma só equipe, unida contigo para construir comunhão e fraternidade na história”.
Essa imagem da humanidade como “uma só equipe” é a síntese do potencial transformador do esporte: um convite à colaboração, à superação das diferenças e à construção coletiva de um futuro mais justo e pacífico.
O papel da Igreja e da sociedade civil
A intenção de oração do Papa Leão XIV para junho de 2026 insere-se em uma tradição mais ampla do magistério católico sobre o esporte.
O Papa Francisco, em diversas ocasiões, sublinhou que o esporte é “instrumento para transmitir os valores que promovem o bem da pessoa humana e ajuda a construir uma sociedade pacífica e fraterna”.
A página do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida dedicada ao esporte recolhe discursos pontifícios que insistem na importância do esporte como instrumento de educação e evangelização, bem como de encontro com pessoas de diferentes ideologias e origens.
A sociedade civil, por sua vez, tem papel insubstituível na promoção do esporte como bem comum. Organizações como Right To Play, Football for Hope e inúmeras iniciativas comunitárias em favelas e periferias, muitas das quais apoiadas por entidades religiosas, demonstram como o esporte pode ser vetor de inclusão, cidadania e paz desde a base, complementando as ações dos Estados e das grandes organizações internacionais.
CONCLUSÃO
O esporte não é uma panaceia para os males do mundo. Não resolverá, sozinho, as guerras, as desigualdades ou as crises ambientais que afligem a humanidade. Contudo, como nos recorda o Papa Leão XIV, ele é e pode ser cada vez mais “escola de fraternidade”, “espaço de encontro” e “caminho de paz”.
A Copa do Mundo de Futebol, em sua manifestação mais grandiosa e universal, oferece uma oportunidade única para que esses valores se concretizem em escala planetária.
A edição de 2026, realizada em três países da América do Norte em meio a um cenário internacional tenso, é um teste para a capacidade do esporte de construir pontes onde há muros, promover diálogo onde há silêncio e inspirar esperança onde há desespero.
A Teoria Integradora do Esporte, que venho desenvolvendo ao longo de minha trajetória acadêmica na PUC-SP, oferece o instrumental normativo para que esse potencial se traduza em políticas públicas efetivas e em práticas institucionais comprometidas com a dignidade da pessoa humana.
Ao integrar as dimensões pública e privada, estatal e associativa, jurídica e social, essa teoria sustenta que o direito ao esporte deve ser reconhecido como elemento estruturante do constitucionalismo societário — um pilar da cidadania no século XXI.
O apelo do Papa Leão XIV ecoa como um convite à ação: “Que nunca nos falte o teu Espírito, que faz de nós uma só equipe, unida contigo para construir comunhão e fraternidade na história”.
Que a Copa do Mundo de 2026 seja, de fato, um passo nessa direção, não um espetáculo de rivalidade estéril, mas uma celebração da humanidade em sua diversidade e em sua busca comum pela paz.