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D. Inácio Saúre apela à conversão dos corações e à rejeição da violência

A Arquidiocese de Nampula encerrou, neste domingo, a peregrinação anual ao Santuário do Sagrado Coração de Jesus de Rapale com uma celebração eucarística presidida por Dom Francisco Chimoio, Arcebispo Emérito de Maputo, e concelebrada por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula, e por Dom Adriano Langa, Bispo Emérito de Inhambane. A Missa reuniu centenas de fiéis provenientes de diversas paróquias da arquidiocese, maioritariamente jovens, contando igualmente com a presença das autoridades locais, representadas pela administradora do distrito de Rapale.

Refletindo sobre as leituras do XI Domingo do Tempo Comum, Dom Inácio recordou que todos os baptizados são chamados a ser discípulos missionários. Segundo o arcebispo, a missão da Igreja não está reservada apenas aos sacerdotes e religiosos, mas é responsabilidade de todos os cristãos, independentemente da sua condição social, profissão ou estado de vida. “Todos somos enviados para fazer o bem, servir os outros e cuidar especialmente dos mais pobres e necessitados”, afirmou.

Num dos momentos mais marcantes da homilia, o Arcebispo de Nampula relacionou a missão cristã com a necessidade de transformar a sociedade através da conversão dos corações. Referindo-se ao homicídio de Dom Osório, pediu aos fiéis que rezassem não apenas pela alma do bispo falecido, mas também pela conversão do autor do crime. Para Dom Inácio, o maior milagre que um cristão pode testemunhar é a mudança de vida de quem pratica o mal, abandonando a violência para abraçar os valores do Evangelho.

O prelado aproveitou ainda a ocasião para denunciar fenómenos que ameaçam a vida e a dignidade humana, como o consumo de drogas e a propagação de informações falsas que têm provocado violência contra pessoas inocentes em várias comunidades. Defendeu uma resposta baseada na fé, na ciência e no respeito pela vida humana, rejeitando qualquer forma de justiça pelas próprias mãos.

A administradora do distrito de Rapale, Maria Noventa Victor, aproveitou a ocasião para apresentar condolências à Igreja Católica pela morte de Dom Osório Citora Afonso, destacando o seu contributo na promoção da paz, reconciliação e dignidade humana. A dirigente enalteceu o papel da Igreja no fortalecimento dos valores morais e da convivência social.

Por sua vez, alguns peregrinos afirmaram que a peregrinação constituiu um momento especial para rezar pela paz em Moçambique. Os fiéis manifestaram preocupação com os desafios de segurança que o país ainda enfrenta, sobretudo devido à violência em Cabo Delgado, defendendo a oração e a união como caminhos para a construção de uma paz duradoura.

Inspirando-se no Sagrado Coração de Jesus e no Imaculado Coração de Maria, no final da celebração, Dom Inácio Saúre convidou os fiéis a abandonarem o egoísmo, a inveja e o ódio, para se tornarem instrumentos de paz, fraternidade e esperança no seio das suas famílias e comunidades.

 

 

 

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