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Papa a escoteiros: a experiência do servir nos une a Deus e liberta da indiferença

Cerca de 3 mil pessoas de um dos maiores movimentos educacionais e de jovens do mundo encontraram o Papa Leão XIV nesta segunda-feira (01/05), na Sala Paulo VI, no Vaticano, após um momento de formação que contou inclusive com a palestra do cardeal Matteo Zuppi, presidente dos bispos da Itália. O grande grupo representa a Associação Italiana Guias e Escoteiros Católicos da Europa que, em 14 de abril, comemorou 50 anos de fundação e hoje conta com mais de 20 mil membros distribuídos em 183 grupos de 61 dioceses do país. O Jubileu de Ouro, como logo recordou o Pontífice em discurso, segue o lema “Se Deus quiser, para sempre”, num convite para olhar ao futuro com um compromisso educativo renovado:

“Nestes cinquenta anos, a Associação Italiana Guias e Escoteiros Católicos da Europa consolidou um estilo educativo específico para expressar o testemunho da fé. Utilizando os instrumentos elaborados segundo a intuição de Baden-Powell, vocês acompanham meninos e meninas no encontro com Jesus, Mestre da vida boa, Amigo fiel, Guia justo e forte para o nosso caminho.”

Leão XIV fez referência ao militar britânico Robert Baden-Powell que criou um estilo de vida para os jovens com base nos elementos positivos presentes na vida como soldado. As técnicas adaptadas a experiências e atividades ao ar livre passaram a ser utilizadas nas escolas do Reino Unido, dando origem ao Escotismo em 1907. No Brasil, o Movimento Escoteiro tem hoje mais de 90 mil membros dentro de uma rede global com mais de 57 milhões de crianças, adolescentes e jovens – dos 7 aos 21 anos – e adultos voluntários que atuam como chefes, dirigentes e equipe de apoio.

Unir a Palavra de Deus à experiência ao ar livre

O Escotismo procura promover um método educativo vivido ao ar livre, capaz de promover uma verdadeira pedagogia da fé e inserido numa dimensão internacional e de fraternidade. De fato, como enalteceu o Papa em discurso, “a vida ao ar livre e o contato com a natureza são aspectos essenciais, que revelam a bondade de Deus por meio dos sinais que o próprio Criador deixou na criação”. Por isso, o convite de Leão XIV para unir com sabedoria a Palavra de Deus “ao livro da natureza” para “iluminar e sustentar as suas experiências de crescimento humano e espiritual, tanto na dimensão pessoal como na comunitária”. O Papa, assim, recordou a importância dos líderes responderem ao apelo de Cristo com generosidade, coerência e maturidade:

“Caros chefes de escoteiros, o Evangelho é muito mais do que um livro: é a própria pessoa de Cristo, boa nova para uma humanidade confusa, iludida, decepcionada por tantos males. Ele sacia nossa sede de justiça e de verdade e nos infunde a coragem de perseverar no bem e de nos colocarmos a serviço do próximo, em primeira pessoa. Desse compromisso vocês são testemunhas para os jovens a vocês confiados: a coerência da vida de vocês e a maturidade das suas escolhas são, aos olhos deles, um exemplo muito importante que os ajuda a crescer.”

A beleza da fé, continuou o Papa, encontra-se “nos gestos cotidianos e na oração compartilhada, nos Sacramentos e no discernimento da vocação de cada um”. Os sacerdotes, assim, que também colaboram com o Movimento Escoteiro, “são a garantia do vínculo entre a Igreja e a Associação”, compartilhando da “responsabilidade pela ação educativa e pelo crescimento espiritual dos jovens”.

Servir e ser bons cristãos e cidadãos

O método escoteiro, que se dedica tanto a meninos quanto a meninas para “poder favorecer o amadurecimento recíproco” em diferentes etapas de percurso, tem o objetivo de formar “bons cristãos e bons cidadãos”. E o “serviço”, finaliza o Papa em discurso, enaltecendo a importância de continuar difundindo “a caridade, o acolhimento e a paz”, é o ponto que unifica todos os elementos do método de Baden-Powell: “é o coração de seu pensamento educativo”:

“Servir significa colocar as próprias capacidades e o próprio tempo à disposição dos outros, de forma totalmente gratuita, sem esperar nada em troca. Através do serviço, desenvolvem-se o altruísmo, a solidariedade, a atenção ao próximo e o senso de responsabilidade social. Vividas na fé, o serviço nos liberta da tendência de sermos egocêntricos, indiferentes e fechados, abrindo-nos à experiência da comunidade e ao senso de responsabilidade: desde as pequenas coisas bem feitas até ao cuidado mútuo. A aventura do Escotismo ajuda a descobrir como a nossa humanidade é iluminada e envolvida pela obra de Deus, verdadeiro educador de todos nós.”

 

 

 

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