O Papa: Deus doa sempre luz e esperança e aqueles que o invocam devem buscar a paz
O Santo Padre realizou no final da tarde deste IV Domingo da Quaresma a visita pastoral a mais uma paróquia de Roma, concluindo assim, este 15 de março, o ciclo das visitas a cinco comunidades da sua diocese com o aproximar-se da Páscoa, iniciado extamente um mês atrás, em 15 de fevereiro. Na visita deste domingo à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus em Ponte Mammolo, periferia de Roma, Leão XIV chegou pouco antes das 16h locais, onde foi recebido calorosamente por ciranças, jovens efamílias no pátio do oratório.
No encontro com as crianças e jovens, o Pontífice ressaltou o fato de tratar-se de uma paróquia dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. O que o coração representa? – perguntou, acrescentando em seguida: “o amor, a caridade, a expressão tão grande do Deus infinito, e de Deus, o que é infinito é o seu amor, a sua graça, a sua misericórdia”.
Após a saudação aos jovens e demais reunidos no oratório, antes da Missa, o Papa encontrou os anciãos e pessoas com deficiência. Ele falou sobre a alegria de sermos irmãos e irmãs, mencionou o tempo da Quaresma e a necessidade de encontrar portas abertas que acolham a todos. “Alguns de vocês estão passando por sofrimento e doença”, disse ele, e agradeceu a todos, frisando que uma paróquia que representa o coração de Jesus é um lugar abençoado por Deus, chamado a ser um espaço onde todos possam encontrar uma família e viver o amor autêntico na caridade.
Deus vem sempre doar luz, esperança e paz à humanidade
O ponto alto da visita foi, naturalmente, a celebração da Eucaristia – centro e ápice da vida cristã. Na homilia da Missa, o Bispo de Roma ressaltou que atualmente, no mundo, muitos de nossos irmãos e irmãs sofrem por causa de conflitos violentos, provocados pela pretensão absurda de resolver os problemas e as divergências com a guerra, enquanto é preciso dialogar sem trégua pela paz. Alguns, então, chegam a pretender envolver o nome de Deus nessas escolhas de morte, mas Deus não pode ser recrutado pelas trevas. “Ele vem, ao contrário, sempre, para doar luz, esperança e paz à humanidade, e é a paz que devem buscar aqueles que O invocam”, frisou o Pontífice, destacando em seguida aquela que é a mensagem deste domingo.
Atendo-se à página do Evangelho deste domingo (Jo 9, 1-41), Leão XIV afirmou que o encontro entre Jesus e o cego de nascença, de fato, pode ser comparado à cena de um parto, graças ao qual este, como uma criança que vem à luz, descobre um mundo novo, vendo a si mesmo, aos outros e a vida com os olhos de Deus.
Tornar-se testemunha da luz
Jesus olha para o cego com amor, não como um ser inferior ou uma presença incômoda, mas como uma pessoa querida e necessitada de ajuda. Assim, o encontro entre eles torna-se uma ocasião para que a obra de Deus se manifeste em todos.
No “sinal”, no milagre, Jesus revela seu poder divino e o homem, quase refazendo os gestos da criação – o barro, a saliva –, volta a mostrar plenamente sua beleza e dignidade de criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Assim, recuperando a visão, torna-se testemunha da luz.
O Santo Padre observou em seguida que parece quase, absurdamente, que quem está perto dele queira anular o que aconteceu. Não só isso: no interrogatório a que é submetido o cego que agora vê, quem é julgado é sobretudo Jesus, acusado de ter violado, para curá-lo, o dia de sábado.
Perseverantes na oração
Revela-se, assim, nos presentes, outra cegueira, diferente e ainda mais grave: a de não ver, bem diante de si, o rosto de Deus, pelo que trocam a possibilidade de um encontro salvífico pela segurança estéril que lhes dá a observância legalista de uma disciplina formal.
Talvez, às vezes, acrescentou o Papa, também nós possamos ser cegos, quando não percebemos os outros e seus problemas. Jesus, por outro lado, nos pede que vivamos de maneira diferente, como bem compreendeu a primeira comunidade cristã, na qual os irmãos e irmãs, perseverantes na oração, compartilhavam tudo com alegria e simplicidade de coração.